Naufrágio na AM deixa 24 desaparecidos
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Jairo Marques e Luís Indriunas Agência Folha 
Uma embarcação com cerca de 200 passageiros naufragou na noite de anteontem nas proximidades de Manicoré (AM), no rio Madeira.
Segundo a Polícia Militar na cidade, até a tarde de ontem, quatro corpos haviam sido resgatados. Entre eles, estava o de uma criança de um ano e oito meses.
Cerca de 24 pessoas continuavam desaparecidas até as 19h30 de ontem (horário de Brasília). A PM chegou nesse número contando os parentes e amigos reclamados por sobreviventes do naufrágio.
O Ana Maria 8ª estava com o certificado de segurança vencido desde de maio de 1998, segundo a Capitania dos Portos de Manaus. O acidente, segundo a PM, aconteceu anteontem por volta das 22h locais (0h horário de Brasília), a cerca de 10 milhas marítimas de Manicoré - equivalente a 18,5 km pelo rio.
A embarcação, segundo relatos de sobreviventes e da PM, não teria resistido ao excesso de peso e, quando entrou em um rebojo (redemoinho causado pela sinuosidade do rio), acabou tombando e afundando rapidamente. Na hora do acidente, a maioria dos passageiros, segundo relatos feitos à reportagem, estava dormindo em redes nos conveses. Não houve tempo para fazer comunicação via rádio antes do acidente.
Pelo menos quatro turistas estrangeiros estavam dentro do barco. Equipes de salvamento do governo do Amazonas, do Corpo de Bombeiros (com mergulhadores) e da Capitania dos Portos foram mandadas de Manaus (AM) e de Porto Velho (RO) para fazer as buscas no rio Madeira. Desde a madrugada de ontem, pessoas se aglomeravam no porto de Manicoré tentando ajudar no resgate aos sobreviventes. Pequenas embarcações e canoas, cerca de 40 segundo a PM, auxiliavam nas buscas pelo rio. Os barcos de resgate da Capitania estariam chegando à cidade no final da tarde de ontem.
Segundo o governo do Amazonas, a profundidade do local onde o barco naufragou varia de 30 a 40 metros. O governo informou também que vítimas ainda poderiam estar presas nas ferragens do barco no fundo do rio. O Ana Maria 8ª - embarcação construída em 1993 - fazia a rota Porto Velho-Manaus-Porto Velho quinzenalmente. A viagem entre as capitais demora quatro dias.
De acordo com a Capitania dos Portos de Manaus, o barco saiu de Porto Velho (RO) às 20h de terça-feira com 15 toneladas de grãos, legumes e verduras, e 105 passageiros.
A lista de sobreviventes da PM de Manicoré era de 119 pessoas ontem no início da noite, com quatro mortos, além dos desaparecidos. A diferença no número se explica pelo fato de que, ao longo da viagem, o barco faz paradas para recolher passageiros em pequenas localidades e nas barrancas do rio.
O barco aportou em Humaitá (777 km ao sul de Manaus), às 8h15 de quarta-feira, onde dois carros, além de cargas e passageiros embarcaram, segundo relatou uma passageira à reportagem.
O barco tinha capacidade para 150 passageiros. Seu tipo é conhecido como regional, uma embarcação de madeira, com porão e espaço para abrigar
pessoas em redes.
Nesta época do ano, os rios amazônicos apresentam cheias. Várias toras de madeira são transportadas amarradas em corrente pelos rios, o que prejudica a navegação.
O Setor de Hidrovias da Amazônia Ocidental - órgão ligado ao governo federal - fez serviços de balizamento nas águas do rio Madeira para facilitar o fluxo de navegação, em 1997 e 1998.


