Naufrágio do 'Diola' pode ter causado 500 mortes
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Agência Folha 
Dacar - Pelo menos 500 pessoas podem ter morrido afogadas no naufrágio do ''Diola'', navio senegalês que naufragou anteontem à noite, na costa da Gâmbia, com 796 passageiros. A embarcação seguia de Casamance (sul do Senegal) em direção à capital Dacar, quando ocorreu o acidente, por volta das 23 horas de ontem (horário local).
Um sobrevivente francês disse que muitos europeus estavam a bordo. ''Foi tão rápido. O barco virou em menos de cinco minutos'', disse Moulay Badgi, em um hospital de Banjul, capital da Gâmbia. ''Ouvi o choro das crianças, foi terrível.''
No navio viajavam dezenas de jovens estudantes, integrantes de diferentes times de futebol que se dirigiam a Dacar para participar de um torneio nacional.
As autoridades do Senegal decretaram três dias de luto no país.
Cerca de 50 sobreviventes foram resgatados e 185 corpos recuperados na área do naufrágio pela Marinha senegalesa, auxiliada por barcos das Marinhas francesa e gambiana.
Vários barcos de companhias pesqueiras européias se uniram para procurar outros possíveis sobreviventes do acidente, mas as perspectivas não são boas, já que, segundo as fontes, não são muitos os que podem ter sobrevivido depois de ficarem tantas horas no mar agitado por um temporal.
A primeira-ministra do Senegal, Mame Madior Boye, atribuiu o acidente aos ventos de rajada e à chuva. Círculos marítimos locais duvidam, no entanto, que essa tenha sido a causa principal do naufrágio e informam que a embarcação, que tinha uma capacidade máxima de 540 passageiros, viajava sobrecarregada com várias toneladas de mercadorias e operava com um só motor em vez de dois.
A navegação sobrecarregada e com um só motor foi a causa mais provável da catástrofe, já que o ''Diola'' não teve a potência suficiente para vencer o mau tempo e as fortes ondas registradas atualmente no litoral do sul do Senegal, segundo os especialistas.
O ''Joola'' voltou a navegar dia 10 de setembro passado, depois de um ano de reparações. O povo da região agrícola de Casamance foi quase isolado do resto do Senegal por uma rebelião separatista de 20 anos do Movimento de Forças Democráticas de Casamance (MFDC), que tornou inseguras as viagens por estradas.
Essa insegurança e os problemas burocráticos para atravessar a Gâmbia, um pequeno país que quase divide o Senegal em dois, fizeram aumentar a procura dos passageiros por viagens por mar.


