A nau Capitânia, construída para comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil e réplica da embarcação que trouxe Pedro Álvares Cabral, somou mais um problema ao seu currículo enquanto atracava no final da manhã de ontem no cais da Capitania dos Portos em Paranaguá. A nau de 26 metros de comprimento bateu em um dos navios da Capitania que estava parado no cais, ganhou arranhões e teve uma de suas janelas quebrada. Marinheiros e dois navios-rebocadores precisaram ajudar a réplica a conseguir atracar corretamente no cais para que as comemorações da sua chegada não ficassem tão prejudicadas.
‘‘É uma coisa normal quando se tem um navio de difícil controle num lugar tão estreito para se fazer as manobras’’, disse o almirante e presidente da Escola Naval do Rio de Janeiro, Domingos Castello Branco. Segundo ele, a manobra foi correta, mas a correnteza forte pegou o comandante de surpresa.
O prefeito de Paranaguá, Mario Roque (PSDB), não perdeu o discurso. ‘‘Foi um momento completo. A atracação difícil demonstrou todas as dificuldades que tinham os navegadores que descobriram o Brasil’’, disse.
Esta é a primeira vez que a nau deixa o litoral do Rio de Janeiro e da Bahia para visitar outros Estados. O navio que ainda vai abrigar um museu chegou ontem em Paranaguá e vai para Antonina no dia 5 de fevereiro. A visitação pública começa hoje de manhã e custa R$ 2,00 para turistas, R$ 1,00 para os estudantes e é gratuita para escolas públicas.
Vexame O País parou para ver a nau Capitânia encalhar no dia 22 de abril do ano passado. Ela deveria estar em Porto Seguro (BA) para ser a estrela das comemorações dos 500 anos do descobrimento. Mas uma sucessão de erros de projeto impediu que a embarcação de R$ 4,2 milhões chegasse a tempo.
Foram três tentativas frustradas para fazer a nau chegar a Porto Seguro. Da primeira vez, a embarcação saiu de Salvador e retornou porque entrou água nos dois motores e o controle remoto do leme falhou. Na última, a nau teve problemas no lastro e foi rebocada. Somente quatro meses depois dos festejos, a nau conseguiu navegar pelas águas da Bahia.

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