Com quatro meses de atraso, a réplica da nau capitânia da esquadra de Pedro Álvares Cabral, navegou hoje, pelas águas de Porto Seguro, no extremo-sul da Bahia. Ela deveria estar no local onde o Brasil nasceu, no dia 22 de abril para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento mas, uma sucessão de erros de projeto impediu que a embarcação de R$ 4 milhões (cuja maior parte foi originária do Ministério da Cultura e Turismo) chegasse à tempo, transformando-se num grande fracasso.
A capitânia não parou em Porto Seguro, seguiu direto
para o Rio de Janeiro onde o clube naval carioca, responsável pelo projeto, vai concluí-la. Se não ocorrer mais nenhum problema, a embarcação deve chegar no Rio no final de semana. Ela zarpou hoje da Base Naval de Aratu, meio escondida, sem a presença da imprensa. Nem de longe lembrou a pompa do dia em que foi batizada e lançada ao mar no dia 16 de abril, com a presença da mulher do vice-presidente da República, Marco Maciel, Ana Maria Maciel, do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e do governador César Borges (PFL). A tribulação vestia roupas da época do Descobrimento.
Para evitar novas críticas a direção do Clube Naval do
Rio de Janeiro, manteve a operação de transferência da nau em sigilo. Na semana passada, a embarcação realizou vários testes pelas águas da Baía de Todos os Santos. No primeiro dia, os dois motores fumaçaram e a nau teve de retornar à Base Naval de Aratu. No entanto, nos outros testes, ela conseguiu navegar sem problemas dando confiança à tripulação a tentar a viagem de Salvador para o Rio de Janeiro. A nave seguiu impulsionada pelos motores. As velas estavam recolhidas, pois o problema apresentado no sistema de velas, na primeira tentativa de seguir para Porto Seguro em abril, não foi resolvido.
Embora a nau capitânia tenha saído de Salvador, a ação
da Procuradoria-geral da república que investiga as irregularidades na construção da embarcação prosseguem. Uma comissão do Conselho Regional de Arquitetura e Engenharia de Salvador constatou que o contrutor da nau, o francês Henri Schlomoff, não tem registro em nenhum dos Creas do Brasil e sequer é engenheiro.

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