Agência Estado
De Salvador
A réplica da nau Capitânia, que conduziu o navegador Pedro Álvares Cabral na viagem do descobrimento do Brasil, vai ser ‘‘batizada’’ hoje, na Base Naval de Aratu, Baía de Todos os Santos, pela mulher do vice-presidente Marco Maciel, Ana Maria Maciel. Em vez da tradicional garrafa de champanhe, com a qual se batiza uma embarcação, Ana Maria usará uma garrafa com água do Rio Capiberipe, de Pernambuco, terra natal de Marco Maciel.
A embarcação, encomendada pelo governo para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento, custou R$ 3,5 milhões, e foi construída em dois anos pelos engenheiros do Clube Naval do Rio, sob a coordenação do arquiteto francês Henri Schomoff. A grande dificuldade dos construtores foi a inexistência de documentos sobre a nau, pois as referências e informações foram perdidas na primeira metade do século 18, em consequência do terremoto que arrasou Lisboa.
Por causa disso, foram usados desenhos, gravuras e dados de embarcações do século 16, levantadas em Portugal.
Fabricada com três tipos de madeira (cumaru, cedro e piqui) e fibra de vidro, a nau tem 28 metros comprimento por 8 metros de largura.
Além do sistema de velas tradicional, a embarcação recebeu dois motores de 285 HP cada um e dois geradores. Foram acrescentados ainda sanitários e camarotes para a tripulação de 35 integrantes, com ar-condicionado, cozinha, geladeira, fogão elétrico, forno de microondas. ‘‘Apenas da linha de flutuação para cima, as duas naus são semelhantes; a atual, além de mais confortável, tem muito mais estabilidade que a do passado’’, lembrou o gerente da construção, o capitão da reserva da Marinha Cláudio da Mata.
Amanhã, a nau zarpará para Porto Seguro (BA), onde deve chegar na noite de sexta-feira. Depois das comemorações do descobrimento, a nau será transformada no Museu Móvel Flutuante, visitando todos os portos do Brasil.

mockup