Salvador, 22 (AE) - A viagem da Nau Capitânea para Porto Seguro, que estava prevista para hoje, voltou a ser adiada por falta de estabilidade na embarcação, um problema básico mas que somente foi detectado pouco antes da partida inicialmente programada para quarta-feira passada. Segundo o almirante Domingos Castelo Branco, responsável pela nau, ainda faltam quatro das 14 toneladas de chumbo encomendadas de emergência a uma fábrica paulista para possibilitar a viagem da Nau Capitânea
uma réplica da utilizada por Cabral para chegar ao Brasil em 1500.
Castelo Branco ainda está otimista em fazer a Nau Capitânea chegar a tempo de integrar as festividades dos 500 anos do descobrimento, embora tenha reprogramado a viagem para o início da manhã desta segunda-feira. A utilização do chumbo como forma de garantir a estabilidade da embarcação não havia sido incluída no projeto da Nau, apesar de sua importância como lastro para dar equilíbrio e possibilitar a navegação.
"Logo que o restante do chumbo chegar vamos começar a colocá-lo, mas o trabalho leva tempo porque o material é instalado em pontos mais baixos do navio, em áreas de difícil acesso e tem de ser todo concretado", disse o almirante. Castelo Branco atribuiu o que vem sendo considerado o "vexame da festa" ao atraso na liberação de parte dos R$ 4 milhões investidos pelo governo federal em empresas na fabricação da Nau Capitânea. "Se o fluxo de recursos tivesse corrido normalmente, a Nau estaria pronta há bastante tempo, mas a obra ficou parada quase seis meses", disse o almirante.
Como a velocidade do navio pode alcançar 12 quilômetros por hora, o almirante estima que a Nau Capitânea possa chegar a Porto Seguro em 35 ou 36 horas, no máximo. "Vamos correr atrás do prejuízo", disse.
O "prejuízo" ao qual se refere o almirante motivou o inquérito civil público instaurado pelo procurador da República na Bahia, João Fontes Júnior, para investigar as responsabilidades pelo fato de a embarcação ter ficado de fora da abertura da festa dos 500 anos. O procurador quer saber como foram gastos os cerca de R$ 4 milhões e quais as causas do atraso. A embarcação foi até batizada com toda a pompa em cerimônia que contou com a presença do vice-presidente Marco Maciel, do ministro dos Esportes e Turismo Rafael Greca, do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães além do governador da Bahia, César Borges.
A embarcação foi batizada na última segunda-feira pela mulher do vice-presidente, Ana Maria Maciel, que substituiu o tradicional champanhe por uma garrafa contendo água do rio Capiberibe, de Pernambuco, terra Natal de Maciel. O ministro Greca, responsável pelo empreendimento, estava otimista. "É uma caravela a prova de calmarias para não ficarmos dependentes do vento", disse antes do fiasco.
De acordo com o projeto do ministério a embarcação, construída pelo Clube Naval do Rio de Janeiro, deverá ser utilizada como museu móvel flutuante do descobrimento do Brasil, visitando os portos brasileiros. No convés a nau terá uma exposição dos equipamentos de navegação utilizados por Cabral.
Dotada da mais moderna tecnologia, com dois motores de 285 hp e projetada para fazer um percurso bem inferior de Cabral
a Nau corre o risco de chegar a Porto Seguro somente depois das festas pelo descobrimento caso as quatro toneladas de chumbo não estejam em Salvador a tempo.

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