Naturalista usa argila contra verminoses
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Numa época em que a ciência apresenta cura e respostas para tantas doenças, falar sobre verminose pode soar desnecessário. Enquanto alguns profissionais garantem que o problema já foi resolvido ou que vermes só aparecem em criança ou moradores da Zona Rural, outros alertam que a presença de determinadas parasitoses no organismo pode ser a causa de diversas enfermidades, entre elas, insônia, alergias, dores de cabeça e até depressão.
A médica natural tradicional holística, de Cidade Gaúcha (80 km a nordeste de Umuarama), Nice Macedo Ávila, resolveu colocar em prática o tratamento da verminose em seus pacientes depois de ter presenciado uma criança morrer sufocada por lombrigas na década de 1980. ''Tenho realizado tratamentos com crianças e adultos com muito sucesso utilizando a argila. Eu mesma fui curada de muitos males como a dor de cabeça, desânimo, entre outras coisas'', diz.
Segundo Nice, formada na Universidade Instituto Vida Natural em Curitiba, além do consumo de chás, é possível combater a verminose utilizando a argila, amarrada com um lenço na região da cabeça por cerca de duas horas. Ao longo dos seus vinte anos de profissão, a médica constatou pacientes curados de dores na cabeça, coluna, região abdominal, nervosismo, desmaios, entre outros problemas. ''É importante ter água de boa qualidade, filtrada ou fervida, lavar bem as verduras, cuidar da higiene corporal, evitar carnes malcozidas e cuidar dos animais domésticos. Recomendo um primeiro tratamento de 7 a 15 dias e repetir na lua minguante ou lua nova, pois nestas fases da lua os vermes estão mais fracos'', explica.
Pesquisas mostram que alguns vermes atacam mais quem anda descalço, toma banho de rio e tem pouca higiene. Apesar disso, algumas cidades ainda possuem casos de verminoses afetando tanto adultos como crianças e animais. A transmissão geralmente se dá através dos ovos dos parasitas, que são minúsculos e aos milhares.
O médico de família em Londrina, Rui Cepil Diniz, que há mais de 20 anos atua na Saúde Pública, afirma que produtos como chá de hortelã e sementes de abóbora torradas, podem ser medidas naturais auxiliares no controle das verminoses. Ele observa que com o saneamento básico - água tratada e encanada e rede de esgotos domiciliares -, a incidência de verminoses vem caindo. Mesmo assim, lembra que ainda há problemas de contaminação frequente principalmente em regiões de rios e lençóis freáticos. ''É importante saber que algumas plantas utilizadas antigamente, como a erva-de-Santa-Maria, a losna, o óleo de rícino e a arruda, devem ser evitadas, pela possibilidade de efeitos colaterais importantes associados a seu uso'', observa.
De acordo com o médico, existem poucas estatísticas relativas a verminoses, pois, segundo ele, apesar de ainda bastante frequentes, são na maioria das vezes assintomáticas. E mesmo quando os sintomas aparecem, são de tratamento simples e apresentam baixo índice de complicações (morbi-mortalidade).
''A maioria das parasitoses intestinais é assintomática. Apenas 10% (aproximadamente) dos casos são sintomáticos, podendo aparecer diarréias, dores abdominais, vômitos, distensão abdominal, emagrecimento, falta de apetite, palidez, etc. Alguns parasitas podem sair do intestino, migrando para os pulmões, fígado, e até ao cérebro (no caso da neurocisticercose)'', ressalta.
Quanto ao tratamento periódico, os especialistas orientam que só é indicado em áreas de alta prevalência de parasitoses intestinais ou quando for indicado pelo médico responsável, geralmente uma vez ao ano. Ainda segundo Diniz, as crianças têm menos cuidado em relação à higiene, sendo portanto, mais suscetíveis às verminoses. ''Quando houver os sintomas, principalmente se forem repetidos, além de crianças de baixo peso e déficit de crescimento, aumento do volume abdominal, palidez cutânea, etc, devam ser encaminhadas ao médico responsável para o tratamento adequado'', aconselha.


