Natal registra 2 mortes com suspeita de dengue
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Agência Estado 
NATAL - A dengue leva pânico à população de Natal. Em menos de uma semana, a cidade registrou duas vítimas fatais com suspeita de terem contraído a versão hemorrágica da doença. Na quarta-feira passada, morreu a comerciária Zilah Rosado de Oliveira, de 21 anos, e, no sábado, a bailarina do Balé Municipal, Ana Helena Góis de Lima, de 33 anos.
Os artistas da cidade estão fazendo um abaixo-assinado, cobrando das autoridades providências contra o avanço do mosquito Aedes aegypti na cidade. O Rio Grande do Norte registra quatro mortes provocadas pela dengue hemorrágica desde março. As duas primeiras vítimas foram um médico da Fundação Nacional de Saúde e um técnico da Petrobrás.
Ana Helena sofreu vários desmaios na última sexta-feira e veio a falecer no sábado. Mesmo sem a realização do exame que comprove a dengue hemorrágica, a suspeita é muito forte. Segundo o médico Kléber Cruz, que atendeu Ana, formada em Engenharia Civil, ela teve sua pressão arterial reduzida a zero, em choque térmico característico da doença.
Familiares das duas vítimas recentes reclamam do descaso dos serviços e autoridades de Saúde. Faltou a realização de exames, passaram só um soro e mandaram minha filha para casa, revoltou-se Léa Lopes de Lima, mãe de Ana Helena.
Minha filha foi vítima do descaso dos médicos, indignou-se Marlene de Souza Rosado de Oliveira, mãe da comerciária Zilah Rosado. Antes de morrer por causa de hemorragia cerebral, em casa, a jovem sentiu fortes dores na nuca, não conseguia comer e vomitava um líquido esverdeado.
A prefeita Vilma Maria de Faria reclama que o Ministério da Saúde não liberou verbas para combater a doença. O secretário de Saúde, Salomão Gurgel, alerta que o mosquito está em sua fase alada, ou seja, sobrevoando as favelas e os apartamentos dos ricos, sem fazer distinção de vítimas. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, a cidade precisa de 23 carros fumacê para combater o Aedes aegypti. Os poucos que existem quase não saem às ruas.
O pior ainda pode estar por vir. O infectologista Luís Alberto Carneiro Marinho estima que Natal poderá ter 250 mil pessoas contaminadas pela dengue até o final do ano. Os médicos do Hospital Gizelda Trigueiro, centro de referência para doenças infectocontagiosas na Capital, têm que atender a vários pacientes de uma vez só, explicando como devem proceder em casa, enquanto estão enfermos. Muitos pacientes nem sabem que já tiveram o primeiro contágio da dengue.


