Curitiba - A palavra ''prematuro'' sempre desperta preocupação. Especialmente quando o assunto é gravidez. O nascimento do bebê antes do tempo normal de gestação exige muitos cuidados e vem recebendo cada vez mais atenção das autoridades de saúde.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que o índice considerado aceitável é de que até 6% dos nascidos vivos sejam prematuros. ''Acima disso, é preciso estar alerta'', comenta o secretário de Saúde do Paraná, Gilberto Martin.

O Paraná está levemente acima desse índice. Segundo os números mais recentes do Ministério da Saúde, de 2000 até 2008 a porcentagem de prematuros entre os nascidos vivos paranaenses sempre esteve pouco acima dos 6%. No último ano com dados disponíveis, 2008, ao todo 6,85% dos bebês nascidos vivos no Paraná nasceram prematuros. Curiosamente, no mesmo ano, a porcentagem nacional foi exatamente a mesma.

''A principal causa de prematuridade no Paraná é a infecção urinária de gestantes'', relata Martin. Segundo o secretário, uma dificuldade é que esse tipo de infecção em mulheres grávidas não apresenta os mesmos sintomas que apresentaria em uma mulher fora de período de gestação. ''Se a infecção não é tratada, pode desencadear trabalho de parto prematuro'', explica Martin.

''Dessa forma, no programa Nascer no Paraná - Direito à Vida, determinamos que é obrigatório que os programas pré-natal das prefeituras façam três exames de urocultura. Estamos pagando (esses procedimentos) através da Secretaria de Saúde'', diz o secretário.

Martin afirma que o Governo do Estado está implementado outras ações relacionadas à prematuridade. A secretaria aumentou de 140 para 270 os leitos de UTI neonatal em hospitais filantrópicos. Até abril, segundo o secretário, mais 100 leitos devem ser implantados nos hospitais regionais que o Estado está construindo. Outros investimentos são a compra de equipamentos para 44 hospitais que servirão de referência para gestações de alto risco e a implantação de várias unidades das chamadas clínicas da mulher. ''Essas ações visam trazer o índice estadual para mais perto dos 6%'', diz Martin.

Jaqueline Inácio do Nascimento, enfermeira da UTI pediátrica do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, descreve que o atendimento a prematuros melhorou nas últimas décadas no Brasil com o avanço da tecnologia. ''Há 20 anos, prematuros pesando perto de um quilo dificilmente sobreviviam. Hoje, recém-nascidos de até meio quilo conseguem sobrevida'', explica.

''Alguns dos principais recursos são a incubadora, que mantém a temperatura próxima do que seria dentro da mãe, os equipamentos de respiração mecânica, os surfactantes, que ajudam na maturidade dos pulmões do bebê'', diz ela.

Nas últimas décadas, aponta a enfermeira, o nascimento de prematuros se tornou mais comum devido à mudança do papel da mulher na sociedade. ''A mulher não é mais a dona de casa. Ela trabalha, em algumas situações tem até jornada dupla. A mulher se cuida menos, e isso, aliado à correria do dia a dia, muitas vezes resulta em casos de diabetes e hipertensão, que são fatores de prematuridade'', explica.

Jaqueline destaca que, embora haja investimentos pesados em tecnologia para atender prematuros, é necessário buscar sempre a capacitação do profissional de saúde. ''Não adianta ter os equipamentos sem a pessoa adequada para lidar com essas situações'', argumenta.

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