Nasce bebê de inseminação com sêmen de marido morto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de junho de 2011
Equipe da Folha 
Curitiba - A professora que conseguiu na Justiça o direito de fazer inseminação artificial usando o sêmen congelado do marido, que morreu em 2009, deu à luz anteontem uma menina. A mãe, Kátia Lenerneir, 39 anos, e a bebê, Luisa Roberta, passam bem e estão internadas no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba. O nome da criança é uma homenagem ao pai, Roberto.
O casal havia dado início a um tratamento de reprodução assistida. Antes, no entanto, o marido precisava vencer a batalha contra um câncer. Enquanto durasse o tratamento, os espermatozoides dele permaneceriam criopreservados no banco de sêmen de uma clínica, uma vez que a quimioterapia poderia colocar a fertilidade dele em risco. Roberto não respondeu bem ao tratamento e morreu.
Sem o consentimento em vida do marido que autorizasse o uso dos espermatozoides, Kátia enfrentou uma batalha sem precedentes na Justiça, uma vez que o Conselho Federal de Medicina (CFM) impedia o médico da professora, Lidio Jair Ribas Centa, de dar continuidade ao tratamento, sob pena de inclusive cassar o seu diploma.
Mas em maio do ano passado, o juiz da 13 Vara Cível de Curitiba, Alexandre Gomes Gonçalves, concedeu liminar para que a professora pudesse continuar o tratamento.
A primeira tentativa para engravidar se deu, sem sucesso, pela técnica de inseminação artificial, frustrada em razão do baixo número de espermatozoides do marido. Mais tarde, Kátia foi submetida a uma fertilização in vitro. Na segunda tentativa realizada por essa técnica o resultado foi positivo.
O médico disse que a partir de agora o Conselho Federal de Medicina orienta os pacientes que fazem tratamento para fertilidade a deixarem registrado o consentimento para o uso dos óvulos e espermatozoides após a morte.


