Porto Alegre, 13 (AE) - O segundo astronauta brasileiro que vai integrar a tripulação da Estação Espacial Internacional (EEI) será escolhido em "três a quatro meses", disse hoje, em Porto Alegre, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luiz Gylvan Meira Filho. De acordo com ele, o escolhido iniciará os testes no centro da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), em Houston, no Texas (EUA), em agosto do ano que vem.
Ao contrário da primeira seleção, quando só puderam disputar a vaga pilotos militares, desta vez um civil poderá ser o escolhido, explicou Meira Filho durante conferência na 51ª Reunião Anual da SBPC. Neste caso o novo viajante espacial brasileiro passará por uma período de oito meses de pré-treinamento no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em São José dos Campos, interior de São Paulo.
O primeiro astronauta do País, o major aviador Marcos César Pontes, escolhido em 1998, concluirá o curso básico em Houston em novembro deste ano. Após definidas as suas tarefas específicas durante os três meses em que ficará a bordo da EEI, ele passará por um novo treinamento específico. Segundo Meyra Filho, a médica gaúcha Thais Russomano, que chegou a ser cogitada para a primeira seleção, deverá participar do novo processo de escolha.
De acordo com o presidente da AEB, o Brasil é o "condômino minoritário" da EEI, com uma participação de US$ 120 milhões, aplicados à razão de US$ 20 milhões por ano. No total, o projeto desenvolvido por 16 países consumirá um investimento total de US$ 50 bilhões e deverá estar concluído dentro de quatro anos. A estimativa original era 2002, mas nesta área é comum estender prazos em favor da "confiabilidade" dos processos.
Com uma vida útil mínima prevista para dez anos, a Estação Espacial vai orbitar a uma altitude de 355 quilômetros. A massa total será de 470 toneladas, com comprimento de 88 metros e envergadura de 108 metros, além de uma área pressurizada de 1,3 mil metros quadrados, o equivalente ao espaço de dois boeings 747. O País vai construir seis partes da EEI, a maior parte de utilização externa, além da janela de observação para pesquisas. O restante ficará a cargo dos sócios: Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Noruega, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Suíça e Grã-Bretanha.
Em troca de sua participação na montagem, o Brasil terá direito à utilização dos laboratórios de pesquisa da Estação, dos equipamentos de logística e da janela de observação. Também poderá integrar a tripulação de seis pessoas, renovada periodicamente, e eventualmente negociar seus direitos de uso com outros países. Meyra Filho afirmou que, apesar de "modesto", com orçamento de pouco mais de US$ 100 milhões por ano (a Nasa gasta US$ 14 bilhões anuais e a Índia US$ 300 milhões), o programa espacial brasileiro tem proporcionado retornos expressivos ao País. Ele cita entre os exemplos palpáveis a ampliação da capacidade de previsões meteorológicas de 24 horas para cinco dias no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com grandes benefícios para a agricultura.
O presidente da AEB informou ainda que o INPE está instalando uma estrutura para recepção de sinais de satélite junto à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. Lembrou, também, que este ano o Brasil lançará da base de Alcântara (MA) um novo satélite com o Veículo Lançador de Satélite próprio (VLS-1), além de dois outros em parceria com a China.

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