Nasa confirma que satélite brasileiro abriu painéis solares
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sexta-feira, 22 de outubro de 1999
Por Simone Menocchi (especial para AE) 
S.José dos Campos (SP), 23 (AE) - O microssatélite Saci 1, lançado há nove dias pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), está em bom estado e com os painéis de energia solar corretamente abertos. A notícia foi dada pela Nasa , a agência espacial norteamericana, na sexta-feira à noite, e trouxe otimismo aos técnicos brasileiros. Isto significa que a fase inicial de injeção do satélite em órbita foi bem sucedida.
Com a comprovação de que os painéis solares estão abertos, existe a possibilidade, na próxima semana, de dois técnicos do Inpe serem enviados à Estação Polar em Kiruna para tentar a comunicação com o Saci 1. Partindo das informações dadas pelo Comando Norte Americano de Defesa Aeroespacial (Norad), sobre a configuração em órbita, os técnicos do Inpe devem realizar análises sobre o direcionamento das antenas, na tentativa de descobrir as causas da falta de comunicação com as bases instaladas em Natal (RN) e Alcântara (MA).
O presidente da Agência Espacial Brasileira, Gylvan Meira Filho, havia descartado a possibilidade de mau posicionamento das antenas em relação ao satélite, com base na informação de que o modelo reserva do Saci -1 respondeu aos testes feitos na Estação de Natal. A análise cobrirá todos os cenários possíveis para desvendar as falhas.
O Inpe trabalha com a probabilidade de defeitos num dos três computadores, já que não há erros nas placas solares. Caso esta tese se confirme, existe a possibilidade do próprio Saci 1 ter condições de sanar o problema, já que há um dispositivo de segurança nos computadores de bordo chamado "cão de guarda". Em caso de problemas no sistema, este dispositivo tenta reordenar o programa dos computadores.
O Saci 1 foi lançado na madrugada do dia 15 de outubro em Tayuan, na China, de carona na coifa do foguete chinês Longa Marcha 4B, que colocou o satélite sino-brasileiro de sensoriamento remoto Cbers no espaço. O Cbers 1 está em pleno funcionamento e já iniciou a coleta de informações sobre agricultura, meio ambiente, cartografia, geologia e planejamento urbano.
O desenvolvimento do microssatélite custou US$ 4,6 milhões ao governo brasileiro, com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O Saci 1 pesa 60 quilos, tem previsão de vida útil de 18 meses e leva a bordo quatro experimentos científicos selecionados pela Academia Brasileira de Ciências.
A experiência adquirida com o lançamento do Saci 1 será utilizada no lançamento do segundo microssatélite. Até o final do ano o Inpe vai lançar o Saci 2, que começou a ser montado em julho deste ano. Este novo satélite será lançado pelo segundo modelo de vôo do VLS 1, Veículo Lançador de Satélites, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Centro de Tecnologia Aeroespacial, CTA. O Saci 2 terá como carga útil os mesmos experimentos do Saci 1.


