São Paulo, 04 (AE) - O som do trio elétrico não chega ao plenário da Câmara. Mas lá os vereadores encarregam-se do barulho. E, na galeria, hoje ocupada em grande parte por manifestantes favoráveis ao prefeito Celso Pitta, a platéia contra-ataca.
"Você também é corrupto!", grita uma mulher para um nobre vereador que fala mal do chefe do Executivo. "Chega de palhaçada", diz Francisco Carlos Antonio, presidente da Sociedade Amigos do Conjunto Garagem. "O povo quer saber se o prefeito fica ou sai."
Vaias e gritos são tolerados. Faixas separam as alas e policiais militares contêm intervenções veementes demais. Às vezes um deles não resiste e ri de alguma fala mais engraçada. "Isso é golpe do PT para derrubar o Pitta e tomar a Prefeitura", acusa Cláudia Augusto Paes, a Xuxa, de 41 anos, presidente da Associação de Ajuda aos Menores de Santo Amaro. "Isso é um equívoco político."
"O PT fica aí fazendo pressão para que o Pitta seja condenado sem julgamento, enquanto o Rainha...", provoca o vereador Wadih Mutran (PTB), referindo-se ao líder dos sem-terra José Rainha.
Muito vermelho, passando mal de raiva, o aposentado Daniel Kupper, de 82 anos, militante do Diretório Distrital do Tatuapé, só falta atirar-se da galeria. É advertido mais uma vez por um PM para não se debruçar no parapeito.
"Canalha, Rainha é um homem digno; por que não lembram dos 19 companheiros assassinados, do Chico Mendes?" berra. "E esse presidente que propôs um salário mínimo menor do que no Peru e na Bolívia?"
Depois, mais calmo, diz o que pensa do prefeito. "Com todo o respeito, ele não tem a mínima capacidade para administrar a cidade porque foi indicado por Paulo Maluf, o que há de pior na política."
Envergando uma camisa do Corinthians o estudante Rogério Barbosa, de 18 anos, admite que não sabe o que faz ali no plenário, torcendo a favor do prefeito. "Vim porque me chamaram."
Politizado, e do lado oposto, outro estudante Marcelo Barbosa Silva, de 19, afirma que está ali contra o malufismo, "a erva daninha de São Paulo". "É insuportável ver trios elétricos defendendo o indefensável."

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