Da Redação
Pelo menos 50% das terras usadas pelos narcotraficantes para a plantação de maconha no sertão pernambucano são devolutas (propriedade do Estado apropriada ilegalmente por grileiros). A maioria dessas terras está localizada nas ilhas do Rio São Francisco. O levantamento foi realizado pela procuradora seccional da Advocacia Geral da União em Petrolina, Josefa Silva.
De acordo com a Constituição, as fazendas onde são encontradas plantações de drogas devem ser destinadas à reforma agrária. Outros 40% das terras com a plantação da droga ainda não foram demarcados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas a procuradora acredita que boa parte também deve ser devoluta. Os 10% restantes das propriedades são de particulares.
Neste ano a Advocacia Geral da União colocou à disposição do Incra 250 hectares para ser incluídos na reforma agrária. Essas terras foram expropriadas dos traficantes que plantavam a droga na região conhecida como Polígono da Maconha. Mais cinco mil hectares de propriedade dos criminosos estão em processo de expropriação.
O delegado regional de Salgueiro, centro exportador da droga, Vamberto Souza, disse que raramente os donos de aproximadamente 10% das terras particulares usadas para o plantio da erva são presos.
Os policiais buscam identificar quem é o grileiro ou o responsável pela fazenda. ‘‘Sempre tem alguém que responde pela área. Às vezes ficamos sabendo pelos vizinhos ou conhecidos, mas é difícil provar.’’ A desculpa mais comum dos responsáveis é dizer que estavam morando em alguma cidade distante.

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