Rio- A Organização de Direitos Humanos Projeto Legal, responsável no Rio de Janeiro pelo programa do governo federal de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçados de Morte, divulgou ontem que mais de 60% dos casos atendidos de 2005 até hoje foram decorrentes do tráfico de drogas. Os dados foram apresentados durante o seminário Enfrentamento ao Assassinato de Crianças e Adolescentes que marca os 13 anos da Chacina da Candelária, ocorrida no Rio.
Segundo a coordenadora do programa no Rio, Flávia Garcia, desde o início do ano passado já foram realizados 174 atendimentos, e a ligação das vítimas com o tráfico de drogas sempre está presente.
De acordo com Flávia, as ameaças de morte surgem pelo insucesso em uma operação em que drogas são apreendidas; roubos que são cometidos dentro das comunidades, e até o caso de adolescentes namoradas de chefes do tráfico que são acusadas de traição.
A grande maioria vem de famílias de baixa renda e tem pouca escolaridade. Muitos, mesmo tendo ensino fundamental incompleto, não sabem nem ler nem escrever, e apesar da baixa renda não são atendidos por programas sociais, afirmou.
É tão baixa a escolarização, a precariedade de informação desses meninos, que eles não conseguem nem ter acesso a programas sociais. Muitos não têm nem mesmo documentos, disse.
A maior procura pelo programa vem da região metropolitana do Rio e da Baixada Fluminense, e chega através dos conselheiros tutelares, do Ministério Público e da Vara da Infância e da Juventude.
A principal ação do programa é retirar a vítima do local em que está exposta ao perigo, podendo deslocá-la até mesmo para outros estados em casos extremos. Mesmo no caso de o adolescente estar cumprindo medidas sócio-educativas e estar em situação de dependência de drogas não há problemas em oferecer o atendimento.
Flávia Garcia apontou como dificuldades na operacionalização do programa a falta de abrigos públicos, de locais para tratamento de dependência de drogas e de escolas para as quais as vítimas possam ser encaminhadas.

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