"Não tenho nada com a atual administração", diz Maluf
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 24 (AE) - O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf disse hoje que mandou apurar todas as denúncias de corrupção ocorridas em sua gestão. Ele afirmou não "ter nada a ver com a atual administração" e lembrou que, com o ex-secretário Alfredo Mário Savelli, as multas contra as empresas de lixo caíram de mais de 200 para algo em torno de 6 ao ano. Maluf criticou, também, a condução política da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais. Os principais trechos da entevista. AE - O senhor está tentando caracterizar a CPI dos Fiscais como política. Paulo Salim Maluf - A CPI tem uma função específica e, quando tem de punir funcionário público que não é correto é comigo mesmo. Tanto que eu só não mudei dois, o Arlindo Afonso Alves e o Domingos Dissei. Os outros 24 eu mudei 68 vezes. Nós tanto apoiamos a CPI que temos representantes do partido, mas não é possível que fique inquirindo pessoas sobre a vida particular de outro político. AE - O senhor decidiu fazer o teste de paternidade somente por determinação da Justiça. Maluf - Coloquei-me à disposição da Justiça porque a CPI não tem força para isso. Essa é uma história surrealista, é uma calúnia, um golpe baixo de petistas que fizeram a administração mais corrupta da história da cidade. AE - Porque o Sílvio Rocha foi trabalhar na Prefeitura? Maluf - Esse senhor foi contratado na gestão Olavo Setúbal, depois na gestão Maluf-Reynaldo de Barros foi demitido, foi admitido na gestão Mário Covas, também admitido na gestão do Jânio, demitido na gestão do PT. Eu nunca soube que ele estava na Penha ou que era funcionário da Prefeitura, porque são 150 mil funcionários. AE - No início do seu governo, a contratação do Sílvio Rocha foi pedida por Edevaldo Alves da Silva. Maluf - Foi porque, segundo ele, o vereador Alex Freua Neto pediu ao doutor Edevaldo. AE - O funcionário continuou contratado, mesmo após a morte do vereador. Maluf - Não tenho conhecimento disso. Ponha por favor essa nossa entrevista, que é uma conversa, num nível alto. Senão, daqui a pouco, você me põe como chofer de caminhão. AE - A intenção não é essa. Queremos apenas esclarecer a situação polêmica. Maluf - Lá sei eu porque ele continuou. Não estou na Prefeitura há dois anos e dois meses. AE - O Sílvio Rocha disse ter provocado invasões contra o governo da ex-prefeita Luíza Erundina a mando do senhor. Maluf - Você põe a palavra de um cidadão que não tem a menor credibilidade contra a minha. Nunca pratiquei invasão e repeli todas invasões dentro da lei, essas sim feitas por petistas. AE - Os relatos dos funcionários das regionais mostram que as irregularidades existiam há muito tempo. Maluf - Espera aí. Trocamos 24 administradores regionais 68 vezes assim que surgiam denúncias. E adotei medidas para evitar a corrupção. AE - O presidente da Enterpa confessou que a empresa pagava propina aos fiscais da AR-Penha. Maluf - Desconheço essa confissão. Se chegasse ao meu conhecimento teria suspendido o fiscal e a empresa também. Durante o meu último ano de governo foram emitidos mais de 200 autos de infração contra as empresas do lixo e parece que com o Savelli (ex-secretário das Administrações Regionais, Vias Públicas e Serviços e Obras) caiu parece que para seis. Então pergunte ao Savelli por quê. Você já me viu na Prefeitura? AE - No aniversário do ex-secretário do Governo Municipal Edevaldo Alves da Silva... Maluf - Exatamente. Estou distante da administração municipal, porque fui um prefeito muito atuante durante quatro anos e acho que merecia um descanso, descansei e fiz a campanha para governador. Então não tenho nada a ver com a administração municipal. Fiz a melhor administração da história da cidade e desafio qualquer um a provar o contrário. AE - O senhor não está tentando desvincular-se do prefeito Celso Pitta (PPB)? Maluf - Não senhor. Não ponha o problema sobre o aspecto político. É que a gente tem de saber mandar, quando está no cargo, e tem de saber respeitar o sucessor.


