Não sobraria ninguém na SAR se todas as denúncias fossem encaminhadas, diz Savelli
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 04 (AE) - Caso encaminhasse todas as denúncias que recebia de funcionários para serem investigadas na Secretaria dos Negócios Jurídicos, não sobraria ninguém na Secretaria das Administrações Regionais (SAR). A afirmação é do secretário de Vias Públicas e serviços e Obras, Alfredo Mário Savelli, em seu depoimento, ontem (03), à Polícia Civil. Savelli foi indiciado por prevaricação e formação de quadrilha.
As informações foram apuradas pela Agência Estado. Savelli disse que, em uma secretaria com 12 mil funcionários, era muito possível que houvesse problemas de corrupção. Por isso, afirmou, foi criada a Ouvidoria do Município, em 1997.
Ele também disse que não retirou os ambulantes do Viaduto Santa Ifigênia e da passarela da Praça das Bandeiras, no ano passado, porque não teve tempo, pois estava mudando de secretaria.
Em relação à assistente social Sandra Monte, que o acusou de omisso à polícia, o secretário disse à polícia que, com o tempo, observou que algumas pessoas da comissão para assentamento de ambulantes tinham um padrão de vida incompatível com o salário que recebiam. Por isso ele decidiu pelo afastamento da funcionária, que participava da comissão.
Savelli disse que o ex-administrador regional da Sé, João Bento, foi nomeado no cargo porque ele tinha sido indicado pelo vereador e deputado eleito Hanna Garib (PPB). Ele também admitiu que tinha ouvido falar que o presidente do Sindicato dos Permissionários em Pontos Fixos nas Vias e Logradouros Públicos de São Paulo, Adir Ribeiro do Amaral, vendia pontos para ambulantes nas ruas da região central.
A população, segundo Savelli, é a maior aliada para denunciar focos de corrupção nas administrações regionais. Em relação às denúncias, ele se desculpa pois, na sua visão, era impossível para ele controlar todos os detalhes nas 27 Administrações Regionais da cidade.
O delegado Romeu Tuma Júnior, que preside o inquérito, não quis comentar o depoimento do secretário.


