Não sei de onde tirar dinheiro, diz Kappeller
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 1999
Por Sônia Apolinário 
Rio, 18 (AE) - O presidente do Grupo Bloch, Pedro Jacques Kappeller, admitiu hoje que não sabe como vai honrar suas dívidas e manter a concessão da Rede Manchete. A seguir a entrevista concedida por Kapeller, por telefone: Agência Estado - A cobrança dos R$ 5 milhões pelo Banco Rural vence hoje. O que o senhor vai fazer? Pedro Jacques Kappeller - Estou pedindo mais prazo e acho que consegui. Eles vão me dar mais tempo. De qualquer maneira, essa notificação que recebi prova que eles (RGC) não pagaram. Se pagaram, como dizem, que mostrem o recibo porque R$ 5 milhões não é pouca coisa. Com essa prova, vamos cassar a liminar. AE - Caso essa questão venha a ser esclarecida, o acordo com a RGC pode ser recuperado? Kappeller - Acho que não tem mais acordo. Tudo começou muito mal. Não dá para confiar mais na palavra deles. Eles ficaram me enrolando durante toda a sexta-feira da semana passada, quando diziam que estavam depositando o dinheiro. Fiz um contrato de boa-fé, não recebi, então quero a mercadoria de volta. Além disso, eles têm que nos prestar contas porque ocuparam a Manchete em São Paulo por 45 dias e venderam anúncios. AE - Há boatos de que o senhor está negociando a Manchete com outro grupo... Kappeller - Não tem mais ninguém interessado na Manchete. AE - Como o senhor fará para acertar suas contas com o governo no dia 18 de maio? Kappeller - Não sei de onde tirar dinheiro. Estou preocupado. Tenho que encontrar um comprador para a emissora. Se isso não acontecer, sairíamos do ramo. Essa é uma decisão difícil. AE - O senhor não teria uma carta na manga? Kappeller - Quem tem carta na manga é mágico. Eu não tenho. AE - Superada essa crise, a Manchete ainda teria credibilidade junto ao mercado publicitário? Kappeller - Tudo dependeria da programação. Sempre penso a respeito disso. Mas, primeiro, tenho outras coisas para resolver. Vamos por partes ou vou ficar louco.


