Não são encontrados vestígios de armas químicas em fábrica do Sudão
Nova York, 09 (AE-ANSA)- Uma comissão de especialistas americanos reconheceu que não foram encontrados vestígios de substâncias químicas usadas na produção de armas de destruição em massa na fábrica do Sudão que foi bombardeada em agosto pelos Estados Unidos.
O ataque com mísseis, assim como outro lançado no Afeganistão, foi justificado como uma represália aos atentados contra embaixadas americanas na Tanzânia e Quênia, atribuídos a Osama Bin Laden. Ele é acusado por Washington de chefiar uma organização terrorista internacional.
Os técnicos, que examinaram os destroços e o terreno no qual se encontrava a fábrica, não descobriram vestígios de substâncias químicas de uso bélico.
Washington sustentou que a fábrica de El Shifa produzia armas químicas supostamente sob o comando de Bin Laden.
O ataque militar, que provocou protestos do Sudão, foi executado depois de um informe da CIA baseado em mostras do solo obtidas clandestinamente por agentes secretos.
Os espiões americanos teriam informado que encontraram vestígios de um ácido usado na fabricação do mortal gás VX, que ataca o sistema nervoso.
As investigações, realizadas por uma equipe de químicos dirigida por Thomas Tullius, da Universidade de Boston, foram promovidas a pedido dos advogados de Salih Idris, o proprietário das instalações, e demonstraram o contrário.
Entretanto, o governo americano rechaçou os resultados da investigação.
"Nos atemos às provas segundo as quais na fábrica havia vestígios de precursores desse gás químico", declarou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, P.J. Crowley. E acrescentou: "Mantemos que a instalação estava relacionada com Bin Laden".
Inicialmente, Washington havia informado que atacara a fábrica porque Bin Laden tinha interesses financeiros nela.
Dias depois, a fábrica foi descrita pela administração americana como "parte do complexo militar-industrial" ao qual Bin Laden estava supostamente relacionado, enquanto o governo sudanês explicava que a instalação tratava-se simplesmente de uma fábrica de medicamentos.
Também a relação entre El-Shifa e Bin Laden foi rechaçada por parte dos advogados do proprietário e por uma agência internacional de investigações, a Kroll Associates.
Em seu informe, colocado à disposição do New York Times, os investigadores da Kroll escreveram que "não haviam encontrado nenhuma prova de uma relação direta" entre o acusado de terrorismo e Salih Idris.





