'Não quero dividir meu dinheiro'
Cansada de trabalhar muito e ganhar pouco, Giovana, com quatro filhos, entrou na prostituição oito anos atrás. Nem todos, entretanto, destinados à profissão do sexo. ''Comecei numa boate famosa daqui de Londrina na época em que ainda podia ter quartos no local. Minha passagem por lá, porém, foi rápida. Logo no primeiro programa já conheci um homem que me bancou por dois anos. Eu era exclusiva dele'', declara.
Nesse período abriu uma loja de confecção que não deu certo, indo à falência um ano depois. ''Como eu não estava mais com esse homem, decidi trabalhar numa sauna'', diz, sobre as casas que, em tese, são para relaxamento. ''Lá funciona como uma boate, mas normalmente o movimento é durante o dia. Tinha horário para cumprir como em qualquer outro emprego.'' Segundo ela, o valor do programa é fixado e fica todo para ela. ''O problema é que precisa beber e fazer o cliente beber, porque é nisso que a casa ganha.''
Insatisfeita com o local, chegou a alugar uma casa de massagem, na qual duas meninas trabalhavam para ela. ''Também não deu certo, porque não sei ser patroa. Não tinha coragem de cobrar a diária das garotas.'' Continuou no ramo de massagem, mas de patroa passou a empregada. ''Antes eu pagava R$ 50,00 por dia de aluguel, independente da quantidade de atendimentos. Hoje, eu pago R$ 20,00 por programa. Se for realizado fora da casa, sobe para R$ 50,00. Tem ainda a multa, caso eu não possa ir trabalhar'', revela.
Pagamentos que estão com os dias contados, de acordo com Giovana. ''Vou sair da casa e entrar de cabeça na internet. Vou começar com anúncios em salas de bate-papo e depois investir num site de acompanhantes. Não quero mais ter que dividir meu dinheiro.'' Para isso, pretende atender em seu próprio apartamento onde mora com os filhos. ''Vai ser um período de experiência para ver se dá certo mesmo. Trabalhar na rua, nem pensar'', planeja. (M.T.)





