O corpo humano de um adulto é composto de quase 100 trilhões de células. E cada célula por diversas moléculas. Atingir de forma totalmente direta as moléculas das células cancerosas é o que esperam e preveem os oncologistas para um futuro próximo. ''Não falamos mais de terapia convencional, mas de uma nova realidade que começou há 10 anos, com as drogas voltadas diretamente para as moléculas alteradas. Não queremos afetar todas as células do organismo, mas atingir o alvo, por isso denominamos-a terapia-alvo'', comenta o oncologista Bruno Pozzi.
Chefe do Serviço de Pesquisa Clínica e Aplicada do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o médico Carlos Gil Moreira comemora o fato de os pacientes atualmente viverem mais e melhor, segundo ele fruto das pesquisas que começaram nas décadas de 1970 e 1980. Ele é otimista quanto aos avanços para os próximos anos.
''É um cenário palpável para os próximos cinco ou dez anos que o doente com câncer e com a doença já disseminada, aquele com metástase, como dizemos, deixe de ser visto sempre como um paciente terminal para ser um paciente com qualidade de vida'', ele destaca. ''Hoje temos métodos de diagnósticos com os quais conseguimos identificar subgrupos diferentes de pacientes, que respondem ao tratamento específico que fazemos'', completa Moreira.
Diretor clínico do Hospital do Câncer de Londrina que atende 449 novos casos da doença por mês, o oncologista Cássio José de Abreu comenta que as terapias-alvo estão se tornando realidade mais palpável a cada dia. Porém, o custo dos novos medicamentos dificultam o acesso aos pacientes, principalmente os que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual a burocracia das Autorizações para Procedimentos de Alto Custo (APACs) não acompanham as evoluções da Medicina.
''Alguns novos remédios chegam a custar R$ 15 mil por mês. Já existem quimioterápicos de uso oral, que podem ser utilizados em casa, de maneira domiciliar, mas eles não são cobertos pelos SUS e pelos planos particulares'', lamenta Abreu. (W.S.)

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