João de Lima Eleutério foi entrevistado pela Folha na noite de sábado, no Destacamento da PM em Laranjeiras do Sul. A entrevista só foi possível depois de grande insistência da Reportagem, porque policiais do GOE diziam que ele havia decidido não dar entrevista. A conversa com o prefeito foi acompanhada por um policial, postado na porta.
‘‘Não sou criminoso, estou sendo injustiçado e a Polícia agiu de forma agressiva’’, disse. Depois, olhando para o policial, comentou que a Polícia do Paraná é técnica ‘‘e não precisava invadir a casa de um prefeito’’. De pouca fluência verbal, ele classifica a ação da PM como tendo sido ‘‘uma vistoria das autoridades’’, mas ela teria ido além dos limites, com a invasão de sua casa e a morte do sobrinho. ‘‘Ele não era meu capanga, como dizem, e eu não tenho conhecimento destas coisas que disseram, de formação de quadrilha, de drogas’’.
O prefeito garantiu nunca ter sido atribuído a ele qualquer crime de morte e nem investigação. Ele disse ser um agricultor e criticou ‘‘o que está saindo na imprensa, que está errado’’. O prefeito espera ‘‘que as autoridades expliquem direito os fatos’’. Ele não imagina quem, diretamente, possa tê-lo citado como formador de bando no crime organizado, muito menos de tráfico. ‘‘mas acho que tem adversários meus por trás’’.
Ele justificou a existência de armas ilegais em sua casa e nas dos demais presos devido a ameaças de morte que teria recebido nos últimos dias, por telefone. ‘‘Eu atendi os telefones, mas não sei quem era’’, disse. E acrescentou: ‘‘Se tivesse Polícia em Marquinho muitas coisas ruins não aconteceriam’’. Para ele, o povo da localidade ‘‘é gente humilde e trabalhador e não merece essa fama que estão dando’’. Pessoalmente, ele pede ‘‘justiça, lei e um destacamento da PM para Marquinho’’. O advogado do prefeito, Amílcar Cordeiro Teixeira, tentará hoje obter sua soltura, mediante pedido de habeas-corpus que formalizará na Comarca de Laranjeiras do Sul. (P.P.)

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