Não posso aceitar insinuação contra base moral do Estado
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 24 (AE)- Um dia após o Ministério Público Federal ter ajuizado a ação de improbidade administrativa contra o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros e outras cinco pessoas, além de quatro empresas, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que não é possível aceitar a todo o instante insinuações contra a base moral do Estado, de seus funcionários e gestores. Ele disse isso sem citar diretamente a ação do Ministério Público, que arrolou também o ministro do Orçamento e Gestão, Pedro Parente.
O presidente disse que a base moral do Estado não pode ser posta em discussão e que "a menos que haja efetivamente algo, e aí sim, merece o afastamento e a punição". O presidente disse ainda, durante a visita ao Ministério de Orçamento e Gestão, para conhecer a estratégia do Plano Plurianual 2000, que não é mais possível que o gestor público fique preso a uma camisa de força com regras burocráticas: "e depois ter que prestar contas do crime que não praticou e que apenas para ser mais devotado ao objetivo que tem em vista, que é o da sociedade
deixou de praticar uma formalidade".
Segundo ele, essas regras antigas ainda existem e muitas são meramente formais. Ele frisou que por sorte os tribunais de contas estão mudando e que eles estão acompanhando todo o processo, não apenas julgando as formalidades e se as "normas" foram ou não cumpridas. O presidente chamou de "hipócritas" aqueles que se utilizam muitas vezes desses elementos formais para dar a impressão de que estão criticando a ação do Estado e do governo.
O presidente afirmou que acabou a época dos subsídios, das taxas de juro protecionistas, da reserva de mercado, do estado guarda-chuva e dos lucros fáceis. Ele disse que é lamentável que se confunda um projeto bom para o Brasil com a defesa dessas práticas do passado. "Essa época acabou. Oligarquias industriais ou financeiras que vivem chorando pela falta de esperança no Brasil estão chorando por um passado na qual foram beneficiárias e que não vai voltar", disse. "Temos que ter um futuro que beneficie o povo e não setores que se acastelaram na vida pública", completou. Ele disse que está sendo realizado no Brasil um projeto nacional, que está "escrito e em marcha".


