"Não havia mais estado de direito no Acre", diz bispo
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Flávio Mello (enviado especial) 
Rio Branco, 13 (AE) - O ex-bispo de Rio Branco e atual arcebispo de Porto Velho, dom Moacyr Grecchi, afirmou hoje, ao sair da sede da Justiça Federal no Acre que decidiu dar entrevistas e prestar depoimentos depois do assassinato do sub-tenente da Polícia Militar (PM) Itamar Pascoal em 1996. "Só resolvi falar depois desse fato, porque aí ficou claro que não havia mais Estado de direito no Acre e que tudo estava à mercê do esquadrão da mortel", afirmou D. Moacyr.
Itamar foi morto a tiros por José Hugo, depois de intrometer-se numa discussão entre Hugo e um traficante local que queria deixar a prisão. Após o assassinado, Hildebrando espalhou cartazes por toda a cidade oferecendo recompensa de R$ 50 mil para quem desse informações sobre o esconderijo de Hugo.
A primeira vítima foi Wilder Oliveira Firmino, de 13 anos, banhado com ácido antes de ser executado supostamente pelo tenente da PM Pedro Pascoal Duarte Pinheiro Neto, outro irmão de Hildebrando preso em Brasília, transferido para Rio Branco ontem (12). Wilder morreu porque não revelou o paradeiro de seu pai, o mecânico Agílson Santos Firmino, de 25 anos, o Baiano, funcionário de Hugo, que estava junto com o seu patrão no dia em que Itamar foi assassinado.
Em seguida, Hildebrando teria encontrado Baiano e submetido-o a torturas. Antes da execução, a vítima teve os braços e as pernas amputados supostamente por uma motosserra e o que restou do corpo foi atirado numa via pública, em frente a uma emissora de televisão local. A seguir, a entrevista de Dom Moacyr. Agência Estado - Como foi o depoimento do senhor? D. Moacyr Grecchi - Fui perguntado se conhecia as atividades do esquadrão da morte. Disse que sim, que tinha informações por meio da imprensa e dos comentários da pessoas. AE - Mas as pessoas procuravam o senhor? D. Moacyr - Tenho conhecimento de todos os setores da sociedade, porque vinha a mim. Provas não tenho. AE - Provas o senhor pode não ter, mas com base nos relatos das pessoas e dos fatos ocorridos... D. Moacyr - Não tenho dúvida de que o comandante era o Hildebrando (Hildebrando Pascoal). AE - O senhor recebeu ameaças? D. Moacyr - Não, não recebi. AE - O que mudou depois de toda essa investigação? D. Moacyr - Só depus e dei entrevistas porque não havia mais Estado de direito aqui. A lei não tinha como ser cumprida e, com a morte do irmão do Hildebrando (o sub-tenente Itamar Pascoal), percebi que o Estado estava a mercê deles. AE - A quais fatores o senhor atribui as mudanças, que proporcionaram essa apuração? D. Moacyr - Foram várias convergências.


