"Não haverá reintegração forçada até segunda-feira", diz advogado
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sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
O Coletivo Advogadas e Advogados pela Cidadania, que defende o movimento secundarista, informou que não haverá reintegração de posse forçada até segunda-feira (31) em nenhuma das instituições tomadas pelos jovens no Paraná. Segundo o advogado Paulo Lenzi, a informação foi repassada pelos próprios oficiais de justiça, que estão entregando as notificações nas escolas. Conforme a legislação, o cumprimento dos pedidos só pode ocorrer no período que vai das 6 às 20 horas.

Dos 25 colégios de Curitiba que constam no despacho da juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonse, divulgado ontem, quatro já foram desocupados espontaneamente. São eles: o Avelino Antônio Vieira, o Benedito João Cordeiro, o Padre Silvestre Kandora e o Santa Felicidade. Os alunos dizem que o mesmo ocorreria com o Tiradentes.
Durante todo o dia, membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), professores, pais, conselheiros tutelares e ainda conselheiros de direito da criança e do adolescente acompanharam a movimentação nas instituições de ensino. No Colégio Estadual do Paraná (CEP), maior do Estado, com mais de cinco mil alunos, docentes e familiares chegaram a se aglomerar nas escadarias e a entoar gritos de apoio aos meninos e meninas.
A resistência levou o governo Beto Richa (PSDB) a adiar por dez dias o cumprimento da reintegração de posse no CEP. Em meio à movimentação dos policiais militares, era possível ouvir frases como "não tem arrego; você me tira a educação e eu tiro o seu sossego" e "ocupar e resistir", além de outras com críticas à cobertura da imprensa. A presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Regina Cruz, também esteve no local dando apoio.
"No início eu não tinha nem opinião formada [sobre a Primavera Secundarista]. Mas o que não posso aceitar é que venham grupos reacionários aqui para tentar destruir um movimento legitimo dos estudantes. Isso não tem a ver com PT ou PSDB. Trata-se de uma causa maior, que se todo mundo soubesse apoiaria", disse o professor de filosofia Márcio Phepe. "Só quero dizer que esse movimento é a coisa mais bela que já existiu nos últimos tempos no Brasil", afirmou outro docente, que não se identificou.
Na saída do colégio, Phepe discutiu com um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Antônio Ferreira dos Santos, contrário à ocupação. O MBL tem realizado protestos em frente às escolas e diz que conta com o aval de familiares dos jovens. Ontem, integrantes do movimento estiveram no Colégio Lysimaco Ferreira da Costa, no bairro Água Verde, e no Colégio Pedro Macedo, no Portão, xingando os estudantes secundaristas. Na ocasião, postaram vídeos nas redes sociais, transmitindo a ação ao vivo. No Lysimaco, o grupo chegou a entrar na escola, entretanto, foi retirado pela PM. A situação só se acalmou já perto da madrugada de hoje.
Despacho
O documento que autoriza as desocupações foi assinado pela juíza Patrícia de Almeida Gomes Bergonse e divulgado ontem. Ela solicita que os alunos deixem as escolas imediatamente e de forma voluntária, sob pena de arcar com multa diária de R$ 10 mil. A magistrada afirmou que, neste caso, será pedido o reforço da Polícia Militar para cumprir a ordem. A decisão diz ainda que os secundaristas terão 15 dias para contestar a liminar.
Em nota, a PM informou que todo o processo aconteceria pela via da negociação pacífica. Mas que, "em havendo resistência" e "após esgotadas todas as vias de negociação", poderá haver uso da força, mediante ainda determinação expressa do comandante-geral. A corporação garantiu que envolverá todos os atores com responsabilidade no caso, "considerando a visão sistêmica, a proteção das crianças e adolescentes, conselho tutelar, pais dos alunos, por meio da Associação de Pais e Mestres, e administração escolar".
Conforme a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), já são 1.177 as ocupações em todo o País. Desse número, 1.065 são escolas e institutos federais (IFs), 102 são universidades e três são Núcleos Regionais de Educação (NRE).
Os estudantes protestam contra a proposta de reforma do ensino médio, com flexibilização de currículo, apresentada pelo presidente Michel Temer (PMDB-SP) via medida provisória. O Paraná concentra em torno de 90% das instituições tomadas - 843 escolas e cinco institutos federais, segundo o balanço mais atualizado.
Veja a lista das escolas que devem ser desocupadas, conforme o despacho:
Colégio Estadual Amâncio Moro;
Colégio Estadual Arlindo Amorim de Carvalho;
Colégio Estadual Avelino Antônio Vieira;
Colégio Estadual Benedito João Cordeiro;
Colégio Estadual Cecília Meireles;
Colégio Estadual Cruzeiro do Sul;
Colégio Estadual do Paraná;
Colégio Estadual Etelvina Cordeiro Ribas;
Colégio Estadual Flávio F da Luz;
Colégio Estadual Gemma Galgani;
Colégio Estadual Guido Arzua;
Colégio Estadual Guilherme A. Maranhão;
Colégio Estadual Iara Bergman;
Colégio Estadual Padre Silvestre Kandora;
Colégio Estadual Paulo Leminski;
Colégio Estadual Pinheiro do Paraná;
Colégio Estadual Professor Cleto;
Colégio Estadual Professor Elias Abrahão;
Colégio Estadual Protásio de Carvalho;
Colégio Estadual Rio Branco;
Colégio Estadual Santa Felicidade;
Colégio Estadual São Braz;
Colégio Estadual Senador Alencar Guimarães;
Colégio Estadual Teobaldo Kletemberg;
Colégio Estadual Tiradentes.


