'Não há segurança em lugar nenhum'
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Michelle Aligleri e Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Londrina - A sensação era de insegurança na tarde de ontem no Parque das Indústrias, na Zona Sul de Londrina. Moradores estavam assustados com o homicídio ocorrido por volta das 11 horas na Rua Firmino Lemes de Oliveira, a 50 metros do Colégio Estadual Albino Feijó.
Rafael Lopes, de 18 anos, foi morto à queima-roupa em frente por volta das 11 horas. De acordo com informações da Patrulha Escolar, a vítima levou quatro tiros. O porta-voz da Polícia Militar, capitão Ricardo Eguedis, disse que a vítima estava encostada em um veículo, conversando com um rapaz de bicicleta, que ''em determinado momento sacou de uma arma e disparou à queima-roupa.'' Lopes foi levado para o Hospital Universitário, mas morreu por volta das 13 horas.
O crime ocorreu em frente à mercearia de Maria Madalena da Silva, que estava fechada no momento do crime, já que era horário de almoço. Segundo a comerciante, o bairro não tem segurança e os moradores têm medo de sair às ruas, principalmente durante a noite. ''É muito difícil ver carros da polícia nesta região'', garantiu. Ela disse que a comunidade espera mais atenção. ''Precisava ter uma viatura aqui na rua, principalmente na hora da entrada e saída dos alunos da escola'', afirmou. De acordo com ela, o colégio atrai ''muita gente que não é aluno''.
Para Maria dos Santos, moradora do bairro há mais de 25 anos, o homicídio foi uma ''novidade''. ''Nunca tinha visto nada assim aqui'', destacou. ''Eu estava dentro de casa, quando ouvi o barulho dos tiros corri para o portão, mas na hora que percebi o que estava acontecendo fiquei com medo e voltei para dentro'', contou.
Ela disse que não conseguiu ver o rosto do assassino e não sabe se ele é morador da região. Apesar do susto, Maria falou que não tem o que reclamar da segurança do bairro, já que ''não há segurança em lugar nenhum''.
Rafael Lopes era ex-aluno do Colégio Albino Feijó, mas de acordo com o diretor Marcos Waldemir Buche, o crime nada tem a ver com a escola. Segundo ele, a apreensão é geral e a sociedade está aflita com a questão da violência.
''A gente tem feito de tudo para trazer a comunidade para dentro da escola, desenvolvemos oficinas e vários projetos. Fazemos de tudo (para combater a violência), mas esta situação fica acima do nosso alcance'', destacou.
Ele disse que a equipe do colégio foi atendida todas as vezes que solicitou ajuda da Patrulha Escolar. ''Sabemos que a equipe da polícia trabalha com baixo efetivo e a área de abrangência é muito grande, apesar disso considero o trabalho deles muito bom'', disse. ''O ideal seria que tivéssemos uma viatura para cada escola, mas sabemos que esta realidade está muito distante de nós'', completou o diretor.
Ele destacou a violência não é uma exclusividade do bairro. ''Cresci aqui, estudei nesta escola e hoje moro aqui com a minha família. Percebemos que todo tipo de violência têm crescido não apenas neste bairro e não apenas em Londrina, mas no Brasil de modo geral'', concluiu.
Até o fechamento desta edição, ainda não havia informações sobre a autor dos disparos.


