Buenos Aires, 21 (AE) - Aumentou o blecaute que desde segunda-feira passada deixou a metade sul de Buenos Aires sem luz nem água: na tarde deste domingo (21), quase um milhão de pessoas estavam sendo atingidas pela falta de eltricidade, tanto de forma permanente como de forma temporária.
Além disso, a Edesur, a empresa de capital chileno responsável pelo blecaute, admitiu que não sabe quando a energia será reestabelecida. "Não queremos ser imprudentes e criar falsas expectativas nas pessoas", declarou Daniel Martini, gerente de relações públicas da empresa.
O blecaute começou há exatamente uma semana, quando um incêndio destruiu grande parte do equipamento de uma subestação de energia elétrica em pleno centro de Buenos Aires.
A Fedecámaras, entidade que reúne a maior parte das pequenas e médias empresas da capital argentina calcula que blecaute já provocou perdas de US$ 1,15 bilhão para a população e o comércio: foram perdidos sete dias de trabalho e toneladas de comida ficaram estragadas pela falta de refrigeração.
Segundo Martini, a empresa substituiu os cabos de alta tensão queimados, mas a reparação não funcionou: "ainda não encontramos a solução global", explicou, e expressou sua surpresa com o fracasso em resolver o problema que afeta um terço dos habitantes da capital do país: "é um fato tecnológico novo a repetição das falhas no mesmo ponto".
A Edesur corre o risco de perder sua concessão por causa da catástrofe que assola os portenhos. Se as multas que tiver de pagar forem superiores a 25% do faturamenteo anual, a concessão ficaria automaticamente anulada.
O faturamento da empresa no ano passado foi de US$ 800 milhões e por isso as multas não poderiam ultrapassar US$ 200 milhões. Políticos tanto da oposição como do governo estão pedindo que a empresa seja retirada da concessão e que os usuários prejudicados sejam indenizados.
A juíza Maria Servini de Cubría realizou uma batida na sede da Edesur para verificar se a documentação da empresa comprova que houve negligência. Além disso, a juíza também fez uma batida na sede da Entidade Reguladora Nacional (Enre), responsável pela fiscalização das empresas privatizadas. O tempo da concessão da Edesur é o maior já dada para uma empresa na Argentina: 99 anos.
Moradores dos bairros atingidos continuam realizando passetas em protesto pela falta de luz. Os principais cruzamentos da parte sul da cidade estão sendo bloqueados com fogueiras. Além dos protestos, os "sem-luz" de Buenos Aires também tentaram espairecer e improvisaram dois times de futebol: o "Cabos Descascados" e o "Curto-circuito".
Por dois a zero, venceu o "Cabos Descascados". O prêmio: um pacote de velas para cada jogador.

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