Não guardo rancor, diz ator preso sem provas
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Fábio Grellet<br>Agência Estado 
Rio - Ao ser libertado do presídio onde permaneceu por 16 dias por ter sido apontado indevidamente como autor de um roubo, o psicólogo Vinícius Romão, de 26 anos, que mora no Méier (zona norte do Rio) afirmou que perdoa a autora da acusação que o levou à cadeia. "Eu não guardo rancor. Ela estava nervosa e infelizmente me confundiu." Questionado sobre o que pretende dizer à mulher quando se encontrarem, ele foi enfático: "Ela é que tem de dizer algo a mim", mas completou: "Eu vou dizer que a desculpo".
Romão contou que ao ser preso, na noite de 10 de fevereiro, na 25ª DP (Engenho Novo), pediu para fazer ligações telefônicas para seu pai e uma ex-namorada, mas não foi autorizado.
Ele disse ter se integrado com os 15 detentos com quem dividiu a cela no presídio Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, mas criticou as condições da penitenciária.
"Dormia no chão, sobre um papelão. E tem muitos 'Vinícius' lá dentro, muitas pessoas que cometeram crimes banais e estão sem banho de sol, sem contato com a família." O ator ainda não decidiu se vai pedir à Justiça indenização pelos dias que passou na prisão.
Formado em Psicologia e interessado em artes cênicas (participou, como figurante, da novela "Lado a Lado", da TV Globo, e já participou de peças teatrais), Vinícius Romão trabalha como vendedor em uma loja de roupas no Norte Shopping, no Cachambi (zona norte).
Na noite de 10 de fevereiro, Romão estava voltando para casa quando foi abordado pelo policial civil Waldemiro Antunes de Freitas Junior, da 11ª DP (Rocinha), que lhe apontou uma arma. A copeira Dalva Moreira da Costa havia tido a bolsa roubada e pediu ajuda ao policial, que passava ocasionalmente pelo local. Após descrever o ladrão como negro com cabelo estilo black power e camiseta preta, os dois avistaram Romão, que tinha essas características, e o policial o deteve. A conduta do agente está sendo investigada pela Corregedoria da Polícia Civil.


