Não faltam leitos de UTI neonatal no PR
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Londrina - Não faltam leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal no Estado. Esta é a conclusão da tese de doutorado da supervisora médica da UTI Neonatal do Hospital Universitário de Londrina, Lígia Lopes Ferrari. Como parte do estudo, a médica visitou em 2008 todas as UTIs Neonatais e Mistas do Paraná para verificar requisitos mínimos de funcionamento dispostos em portaria do Ministério da Saúde (MS).
Segundo ela, foram avaliados itens como estrutura física e da equipe médica e a quantidade de leitos disponíveis efetivos, já que há leitos cadastrados que não estão funcionando.''No levantamento foi diagnosticado que existem 42 Unidades de Terapia Intensiva em todo o Estado. Destas, 22 são exclusivas para atendimento neonatal e 20 são mistas, ou seja, são pediátricas com leitos neonatais. Isso corresponde a um total de 360 leitos'', explica.
Para saber se esta quantidade seria suficiente, a conta é dividir o número de nascimento de bebês pelo total de leitos. ''No ano de 2008 nasceram 148 mil crianças no Paraná. Existiam, portanto, 2,4 leitos para cada mil bebês. A literatura indica que o ideal é que haja 1,5 leitos para cada mil bebês. Isto nos leva a conclusão de que não faltam leitos no Estado.'' Apesar disso, a maioria das unidades possui menos de dez leitos, como é o caso do município de Santo Antônio da Platina. ''Estudos mostram que uma UTI não 'se paga' com menos de dez leitos funcionando.''
Cuidados Intermediários
Mas como então se explicaria a dificuldade em conseguir vagas disponíveis para as UTIs? Uma das respostas, de acordo com a médica, vem do fato de existirem poucos leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI).
De acordo com o levantamento, existem 130 leitos intermediários no Estado. ''A mesma conta aponta para a existência de 1,5 a 2 leitos para cada mil bebês. A literatura, entretanto, defende de 3 a 4 leitos para mil bebês. Aí sim existe um déficit considerável, que acarreta em superlotação dos leitos da UTI neonatal.'' Além do problema da falta de vagas, dinheiro é desperdiçado, já que a UTI despende muito mais recursos que uma UCI.
Para resolver o problema, conforme Lígia, além do aumento das UCIs, o que falta é planejamento e distribuição proporcional dos leitos com a regionalização do atendimento. ''Não adianta ter UTIs em todos os lugares ou concentrar todos os leitos em uma única região. Por isso, o ideal é que o atendimento seja realizado em centros regionais, onde, inclusive, a gestante de risco poderá receber acompanhamento e, depois, o bebê'', conclui a médica.


