Não escolhidos ainda têm chance
A Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA) tem a responsabilidade de garantir que as crianças que tenham dificuldade de serem adotadas por casais brasileiros, por causa de preconceito quanto à cor ou a idade, sejam adotadas por casais estrangeiros. Para isto, a CEJA conta com a intermediação de 20 entidades filantrópicas que atuam em todo o País. A comissão existe no Paraná desde 1989 e foi instituída através do Decreto Judiciário 21. Ela é composta por 11 membros que vão desde o corregedor até médico, assistente social e advogado. Todos os pedidos de adoção feitos por casais estrangeiros são analisados pela CEJA, que verifica as condições da família (com sistemas de controle e acompanhamento de estágios de convivência no Exterior) e facilita a adoção com processos gratuitos.
Atualmente, os arquivos da comissão registram mais de uma centena de casais estrangeiros aptos para receber a adoção de crianças paranaenses. Para conseguir a aprovação do pedido, o solicitante tem que cumprir uma série de exigências que vão desde a apresentação de autorização para adoção estrangeira até atestado atualizado de antecedentes criminais.
A reportagem da Folha procurou os membros da CEJA durante toda a semana, mas não conseguiu uma entrevista detalhada sobre o sistema de adoção no Paraná. Os representantes da entidade foram proibidos de dar entrevistas após a denúncia de comercialização de crianças, que estaria sendo realizada pela empresa norte-americana Limiar S.A., cadastrada junto a Comissão Estadual. A entidade usava fotos de crianças na Internet e solicitava o pagamento de US$ 5,5 mil para a realização do processo de adoção.
Em entrevista em Curitiba, a diretora administrativa da Limiar, em São Paulo, Emmy Caroline Andersen, alegou que o valor era sugerido para os casais estrangeiros, mas era pago apenas pelos casais que concordavam com a medida. ‘‘O valor sugerido apenas pagava os custos que teríamos com o processo de adoção’’, declarou.
A foto de crianças na Internet não é um privilégio apenas da Limiar S.A. O próprio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mantém uma página na Internet com a fotografia de crianças negras ou deficientes que estão sendo encaminhadas para a adoção. Além de fotografias, a página oferece o nome das crianças e alguns detalhes sobre data de nascimento e cor. (L.P.)

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