‘‘Não é uma luta fácil’’,
revela Celso, recuperado
A droga causou estragos irreparáveis na vida de Celso Amaral, 29 anos (foto). Aos 13, com a morte da mãe e o pai viciado em bebida alcoólica, ele começou a usar maconha. Aos 19 anos, começou a consumir cocaína. Para sustentar o vício, vendia roupas e calçados, roubava dinheiro do pai e assaltava.
Na ficha policial de Amaral consta um homicídio e várias passagens pela polícia. Na última vez, ficou três anos na prisão. Com bom porte físico e boa aparência, Amaral diz que nunca teve dificuldades com mulheres e, para sustentar o vício, se tornou garoto de programa. Recuperado, ele convive com internos da Associação Maranata, onde concedeu entrevista à Folha:
Folha do Paraná - Você começou a usar drogas com quantos anos?
Celso Amaral - Comecei fumar maconha aos 13 anos, presente de um amigo. A cocaína foi aos 19 anos, oferecida por uma amante.
Folha - O que levou você a se drogar?
Amaral - A droga dá uma sensação de êxtase, uma coisa boa. Sempre fui violento e a maconha me acalmava.
Folha - A morte da sua mãe e o fato de o seu pai ser alcoólatra contribuiu?
Amaral - Muito. Faltou compreensão. Não tinha com quem conversar na hora mais difícil. Faltou amor de pai e de mãe.
Folha - Quando não tinha dinheiro, o que você fazia para comprar a droga?
Amaral - Muitas vezes fiz assaltos a mão armada. Sempre tive sorte com mulheres e elas me davam dinheiro para o vício.
Folha - Você está recuperado?
Amaral - Não digo que já venci, mas me cuido para não voltar. Estou mais forte para resistir, graças a Deus. Não é uma luta fácil.
Folha - Hoje, se alguém lhe oferecer droga, o que você faz?
Amaral - Se essa pessoa me der um espaço, vou tentar mudá-la. Ela é a única vítima.

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