Jataizinho - O dia seguinte à chuva foi de colocar a casa em ordem e contabilizar os prejuízos. Moradores de Jataizinho, na Região Metropolitana de Londrina, ouvidos pela reportagem contaram que a chuva foi tão forte e rápida que não tiveram tempo de salvar muita coisa.
No bairro Maria Julia, o muro de uma indústria cerâmica conteve a água por um tempo, causando um representamento que provocou forte enxurrada. Para melhorar a vazão, parte do muro teve de ser derrubada.
Na casa de Bernardete Chagas, derrubar uma parte da parede também foi a solução encontrada para escoar a água do rio. ''Foi de repente, não deu nem tempo de fazer nada'', contou a dona de casa, que recorreu a vizinhos para se abrigar e, ontem de manhã, limpava a sujeira resultante da enchente.
Na casa ao lado, a dona de casa Gleice Aparecida Almeida viveu momentos de desespero ao lado do marido e dos três filhos. ''Estava dormindo quando ouvi meu filho de 7 anos gritando por socorro. Assim que pus o pé no chão, percebi que já estava tudo alagado.'' Com a ajuda de vizinhos, ela conseguiu retirar as crianças de casa.
''Tive que colocar os meninos no muro para pedir socorro. Foi um sentimento de pânico. Nunca pensei que passaria por isso na vida'', disse ela, que perdeu quase todos os pertences.
Na Vila Frederico, moradores com parte do corpo submerso, tentando recuperar objetos deixados nas casas alagadas, compunham a paisagem chuvosa da quarta-feira. A dona de casa Sandra de Souza contou que a água que invadiu sua casa veio principalmente dos bueiros, que transbordaram com a enxurrada. ''Só deu tempo de tirar a TV e o microondas.''
Em Ibiporã, também na Região Metropolitana de Londrina, os bairros mais atingidos pela enchente foram as vilas Pimenta e Kennedy e o Recanto Kan Kan. Neste último, a cheia do Rio Engenho de Ferro deixou muitas famílias ilhadas e incomunicáveis.
A dona de casa Lubia Mendes de Souza Vieira, moradora da Vila Pimenta, monitorava o nível da água das várias minas do entorno de casa para decidir se deixaria a residência. Apesar do quintal já estar completamente alagado, ela só planejava sair se a água chegasse dentro do imóvel. ''Moro aqui há pouco tempo e nunca tinha visto um enchente de perto. É assustador'', relatou.
O secretário de Obras de Ibiporã, Marcelo Pereira, informou que ontem não havia desabrigados no município. Os locais mais críticos, segundo ele, eram a ponte do Ribeirão Jacutinga, que ficou submersa, e a ponte entre os bairros Pedro Morelli e Afonso Sarábia, que teve de ser interditada porque um dos lados cedeu.

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