O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que lamentava a decisão da Justiça Federal, que não concedeu liminar cancelando o aumento do pedágio dado pelo próprio executivo estadual às concessionárias Rodonorte e Rodovia das Cataratas. ‘‘Vamos entrar com recurso para que o povo do Paraná tenha continuidade das obras dentro dos cronogramas já definidos. Entendemos que não cabe aumento às concessionárias que estão inadimplentes’’, afirmou Lerner, após desembarcar no aeroporto de Arapongas. De lá, ele partiu em comitiva para Rolândia, onde participaria à noite de uma homenagem ao governador de Rondônia, José de Abreu Bianco (PFL).
Segundo Lerner, assim que as duas concessionárias alcançarem as metas fixadas no cronograma de obras o governo poderá ‘‘baixar a guarda’’ e liberar o aumento. ‘‘Essa é a nossa intenção. O que não podemos é garantir aumento para aqueles que estão em falta. Isso é fundamental para a economia do Estado e é possível’’, disse, otimista de que ainda vai reverter a decisão judicial.
O governador recorreu ao contrato para tentar explicar a situação inusitada de conceder aumento para as concessionárias e, um dia depois, entrar na Justiça contra o mesmo. Para ele, a questão do pedágio é idêntica à da tarifa de ônibus. ‘‘O reajuste é automático. Existe uma tabela, tem um cálculo em função de seus componentes, do custo do asfalto, mas aquelas (empresas) que não estão cumprindo, entramos com ação suspendendo o reajuste e aplicando multas’’, afirmou.
Lerner não admitiu que o governo esteja fechado ao diálogo, como criticou o presidente da Associação dos Usuários das Rodovias do Paraná, Paulo Muniz, que depois do anúncio do aumento cancelou o 2º Fórum dos Usuários, que seria realizado ontem em Londrina. Ele destacou que o governo está montando o conselho dos usuários e espera a participação de representantes de todas as regiões do estado. ‘‘Não há falta de diálogo. Estamos cada vez mais aperfeiçoando o controle por parte da comunidade e queremos que isso seja o mais transparente possível.’’
Sobre as articulações da oposição para instalar uma ‘‘CPI do pedágio’’, Lerner lamentou e disse que tudo não passa de ‘‘iniciativas políticas’’. ‘‘Oposição tem que fazer oposição. Mas se há uma coisa que foi questionada em nosso estado durante anos foi o pedágio. A população está mais do que esclarecida. E se o Poder Executivo pode prestar todos os esclarecimentos, sem a necessidade de uma CPI, ora, o povo tem o direito de saber e nós estamos prestando todas as informações.’’ (Lúcio Horta, de Londrina)

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