Nós amamos nossos filhos. Mas o amor é mais que um sentimento caloroso; envolve também habilidade. Alguns terapeutas de família acreditam que os pais precisam ter duas qualidades básicas: o amor suave e o amor firme. ''Esses dois tipos de amor têm de ser ativados nos pais em quantidades suficientes a fim de que os filhos recebam os ingredientes certos para um bom desenvolvimento'', afirma o psicólogo e terapeuta familiar Steve Biddulph, inglês, residente na Austrália. Autor de vários best sellers entre eles ''Criando Meninos'' e ''O Segredo das Crianças Felizes'', Biddulph orienta os pais a encontrarem o equilíbrio para evitar problemas na formação dos filhos.
No livro ''Momentos mágicos com seus filhos'', o terapeuta descreve o amor suave como a capacidade de relaxar e dar carinho e afeição. ''É a capacidade de parar de racionalizar, de confiar nos seus instintos e afastar as várias pressões que vêm de fora para que seu filho possa sempre contar com você. Quando você conseguir relaxar e se soltar, sua capacidade de amar despertará naturalmente'', afirma. Mas o ingrediente essencial para o amor suave, segundo Biddulph, é sua presença. ''Por mais que você diga aos filhos que os ama, se não passar bastante tempo com eles suas palavras serão uma mentira''.
Na opinião do psicólogo, o amor suave abre o coração da criança e o amor firme dá mais fibra para que ela cresça forte e determinada. Segundo ele, a disciplina não convencional serve para ensinar as crianças a viverem de forma mais fácil e mais feliz. Sem uma disciplina interna, observa Steve Biddulph, a vida da criança torna-se uma grande confusão. ''Os pais que permitem que os filhos façam o que querem deixam esses filhos incapacitados para viver o mundo real'', diz. O resultado será adultos solitários e infelizes.
O amor firme, segundo o terapeuta, é quando o pai decide intervir como se dissesse: ''Eu te amo muito e por isso não vou deixar que você se comporte assim''. O método da disciplina, conforme o terapeuta, segue duas técnicas: a primeira, parar um momento para pensar e, a segunda, negociar. ''Não envolve punição, minimiza o confronto'', afirma. No livro, o autor ensina, através de exemplos, a maneira como os pais podem fazer com que as crianças, desde pequenas, aprendam a se acalmar e a ficar mais disciplinadas. E a estar atento para diferenciar travessura de excesso de energia. ''Quando você estiver perdendo a paciência vá ao parque. A criança precisa brincar ao ar livre e fazer exercícios diários para gastar a energia acumulada no organismo''.
Na mesma linha, outro livro da Editora Fundamento orienta os pais sobre a fase difícil e conturbada da adolescência. No livro ''Criando Adolescentes. Como prepará-los para os desafios da vida'', dos autores Michael Carr-Gregg e Erin Shale, dá dicas sobre como lidar com problemas de comunicação (o cuidado com as palavras), alteração de comportamento (como agir em situações de conflito e evitar confrontos), sexualidade, drogas, perdas, entre outros. Em um dos dos capítulos, ele estabelece como metas da adolescência: formar uma identidade equilibrada e positiva; alcançar a independência dos pais; conhecer pessoas para amar fora do círculo familiar e encontrar um lugar no mundo ao dar rumo à carreira profissional e alcançar a independência econômica.
O livro traz depoimentos de pais e de filhos que destacam a importância das amizades, do conhecimento, da confiança e das trocas. Entre as ''receitas'' apresentadas está a da disposição que os pais devem ter para perdoar, capacidade para rir, perdoar e, acima de tudo, demonstrar amor. O terapeuta afirma que adolescentes de 13 anos podem ser confiantes e afetuosos. E que os pais devem aproveitar a chance de aproximar-se deles. ''Aproveite esse tempo porque os 13 anos displicentes em breve darão lugar à temporada do ciclone dos 14 anos''. Adolescentes de 14 anos podem se tornar tão emocionais quanto bebês de dois anos: eles testam limites, compram briga com você e precisam que você entre na briga. A última coisa que você deve fazer é ignorá-lo. ''Querem independência, mas precisam aprender a ser responsáveis e cuidadosos''.

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