Namorada de Viscome diz que depôs sobre pressão e nega declarações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Andréa Portella e Fabiana Gitsio 
São Paulo, 04 (AE) - Tânia de Paula, namorada e ex-assessora do vereador Vicente Viscome, negou hoje todas as informações que havia dado à polícia e à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais sobre o esquema de corrupção que está sendo investigado na Administração Regional da Penha (AR-Penha).
Segundo seu advogado, Gilberto Saad, Tânia disse à Justiça que depôs sob pressão na polícia. "Ela teve medo das condições de prisão", afirmou. "Ela me disse que confessaria até ter matado a mãe." De acordo com Saad, essa negativa não tem nenhuma relação com qualquer estratégia dos advogados de Viscome. Segundo ele, na CPI, os detalhes minuciosos contados por Tãnia sobre o esquema de corrupção na AR-Penha teriam sido dados pelo mesmo motivo: pressão. Desta vez, alega, a culpa foi do delegado que a levou de casa para a Câmara.
O promotor Gilberto Garcia Leme disse que nenhum dos denunciados apresentou provas para as negativas de ontem. "Eles negaram, mas não apresentaram argumentos válidos e convincentes." O juiz Rui Porto Dias, da 8ª Vara Criminal, havia interrogado antes o vereador Viscome e outros seis réus que respondem por formação de quadrilha e concussão. Todos inocentaram o vereador.
"A defesa sai confiante", disse o advogado de Viscome, Ademar Gomes. Segundo ele, seu cliente estava muito abatido e chorou durante o interrogatório, mas "conseguiu mostrar ao juiz que foi uma vítima". Viscome continuou dizendo que os valores na agenda de Tânia não se referiam a propinas, mas a transações comerciais, e tomou o celular da ex-namorada de volta porque a conta estava exorbitante.
Acreditando que seu cliente não tem motivos para continuar preso, Gomes protocolou pedido de liberdade provisória
seja por fiança ou revogação de prisão. "Ele está disposto a pagar até US$ 1 milhão", disse o advogado, ao comentar o valor da fiança nesses casos - R$ 1 mil, no máximo. De acordo ele, o juiz dará a resposta em cinco dias úteis.
Além de Viscome e Tânia, foram interrogados Ivan Márcio Gitahy, coronel da reserva que era supervisor de uso e ocupação de solo da regional, Fernando Mario Garcia Lepper e Fernando Martins Capitão (ex-assessores), o engenheiro Pedro Antônio Saul (acusado de chefiar o esquema do lixo), o assessor Vladmir Augusto Pereira e a ex-fiscal Eliani Bittante.


