Nafta pode ter intoxicado quase 40 pessoas em Paranaguá
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quarta-feira, 07 de novembro de 2001
Katia Michelle<br>De Curitiba 
Pelo menos 35 pessoas foram atendidas com sintomas de intoxicação em postos de saúde de Paranaguá, Litoral do Paraná, depois do acidente com o navio Norma que causou o vazamento de nafta (produto altamente inflamável) na Baía de Paranaguá. Relatório da Secretaria Municipal de Saúde aponta que esses casos podem estar ligados à contaminação pelo produto. Na maioria das ocorrências, os pacientes apresentavam problemas respiratórios e hipertensão. Eles foram atendidos entre os dias 18, quando ocorreu o vazamento, e 23 de outubro.
Divulgado ontem, o relatório da Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá foi anexado aos inúmeros laudos sobre o acidente que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está recolhendo. Além desse documento, o Ibama apresenta hoje ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) análises da água e animais mortos na região depois do acidente. ''Vamos juntar os exames que foram feitos para tentar tirar uma conclusão'', adianta o chefe do Ibama em Paranaguá, Lício Domit.
Vinte dias depois do navio petroleiro que carregava 22,401 milhões de nafta ter encalhado na Baía de Paranaguá, os órgãos ambientais do Estado ainda não têm uma posição sobre as consequências do vazamento. A demora em divulgar os laudos compromete a previsão para liberação da pesca e também para a aplicação da multa na Petrobras.
O navio Norma ficou duas semanas encalhado depois de ter batido numa pedra no Canal da Galheta. Segundo a Petrobras, 392 mil litros do produto teriam vazado no mar. O restante foi transferido para o navio Nara. O secretário do Meio Ambiente de Paranaguá, Luiz Augusto Severo de Azevedo, disse que ainda não há como avaliar todos os prejuízos para o município depois do acidente.
''Estamos esperando a conclusão do Ibama e do IAP, mas já podemos verificar que, além dos moradores, o turismo foi afetado, causando prejuízos para a economia do município'', complementa o secretário. Para ele, quem está sofrendo com isso é a população. A Petrobras está distribuindo cesta básica para os pescadores, o que não seria suficiente para cobrir os prejuízos com a proibição da pesca na região. O Ibama e o IAP ainda não têm uma previsão para liberação da pesca. ''Mas não queremos correr riscos'', disse Azevedo.


