Há três anos, quando o mundo enfrentava os primeiros efeitos devastadores da crise econômica dos países mais desenvolvidos, o prefeito de Assaí (Norte Pioneiro), Michel Angelo Bomtempo (PMDB), usou os termos ''destruição total'' e ''tragédia'' para descrever os transtornos gerados pela volta de dekasseguis ao município - de apenas 16 mil habitantes e opções limitadas de trabalho.
Bomtempo estima que, naquele período, aproximadamente 800 dos 1,7 mil dekasseguis oriundos de Assaí retornaram, espantados do Japão pela crise. ''Muitos voltaram em situação muito precária, sem dinheiro, moradia. Isso gerou transtornos econômicos, familiares e psicológicos'', diz o prefeito. À época, a prefeitura e as associações culturais do município criaram um grupo de voluntários para acompanhar essas pessoas.
O prefeito afirma que a situação melhorou desde então. ''Uma parte desses dekasseguis continuou aqui, outros foram tentar a vida em outros países: Estados Unidos, Inglaterra, Portugal. O impacto passou. As pessoas que ficaram em Assaí se adaptaram. Estão trabalhando principalmente com o comércio: mercados, lojas de aparelhos eletrônicos'', relata Bomtempo.
O empresário Adir Nishiyama, proprietário de um supermercado na cidade, voltou ao Brasil pouco antes da crise de 2008 explodir. ''Voltamos em outubro. Em novembro e dezembro, as empresas começaram a demitir'', relata. Ele conta que, naquele momento, o retorno já estava planejado - o mercado que Nishiyama abriu com o cunhado estava em funcionamento há um ano.
O empresário elogia o Japão, mas não cogita retornar. ''Muita gente está com receio de voltar. Por causa da crise, o ganho por hora (de trabalho) está caindo. Quando eu fui, a situação ainda estava boa, mas já pior do que na época dos primeiros dekasseguis. No começo, além do pagamento por hora ser maior, eram pagas mais horas extras, porque não havia tanta oferta de mão de obra'', explica Nishiyama.
A comerciante Diva Castro Myazaki, casada com um descendente de japoneses, voltou para o Brasil há dois anos, após perder o emprego - o marido retornou alguns meses depois. Como a maioria dos dekasseguis, teve problemas de adaptação. ''O mais difícil foi o dinheiro. Tudo aqui no Brasil é caro, difícil de conseguir. No Japão, trabalhando dois, três dias, já dá para fazer a compra de um mês'', justifica.
Claudio Matsubara, que ajuda a administrar o posto de combustíveis do irmão em Assaí, também teve dificuldades. ''Quando você volta, fica meio fora da realidade. O salário, o trabalho, tudo é diferente. Eu pretendia voltar ao Japão, mas aí veio o tsunami e eu desisti'', afirma Matsubara. (F.G.)

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