Caracas, 05 (AE) - A visita do presidente Fernando Henrique Cardoso a Caracas, capital da Venezuela, com previsão de chegada às 22h45 desta quarta-feira, marca o 5.º encontro em menos de 15 meses do presidente brasileiro com o venezuelano, Hugo Chávez. Em todos as reuniões dos dois chefes da Estado, um assunto tem sido recorrente: a finalização da interconexão elétrica da Eletrobrás e a venezuelana CVG entre as cidades de Guri, na Venezuela, e Boa Vista, capital de Roraima.
A obra foi paralisada recentemente por causa da resistência de grupos indígenas venezuelanos, que querem compensações pelas terras desapropriadas, e grupos ecológicos dos dois países, que reclamam do desmatamento da região. O próprio Chávez foi às áreas de conflito para tentar encerrar o impasse.
Amanhã (06), o presidente Fernando Henrique cumpre uma agenda extensa, com costuras de acordos comerciais e de cooperação entre os dois países nos setores elétrico, petrolífero, militar e empresarial. Como na Costa Rica, FHC não deve comentar sobre política local e os embates entre o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA). Em vez de uma entrevista coletiva marcada para as 15 horas, o presidente fará apenas um pronunciamento, de 30 minutos.
Fernando Henrique chega ao país, em clima de eleição presidencial, marcada para 28 de maio. Hugo Chávez, com o favoritismo nas pesquisas, tenta a reeleição. Seu ex-aliado político, o tenente-coronel de reserva do Exército Francisco Arias Cárdenas, tornou-se o principal oponente, representando o Movimento pela Democracia Direta.
Integram a comitiva brasileira a primeira-dama, dona Ruth Cardoso, representantes da Petrobras, da Eletrobrás e os ministros das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, do Desenvolvimento, Alcides Tápias e das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Fernando Henrique e as outras autoridades brasileiras participam amanhã (06) do encerramento de uma reunião importante da agenda bilateral, a 6ª reunião de chanceleres do Tratado de Cooperação Amazônica.
Na sexta-feira (07), FHC segue cedo para a última etapa da visita à Venezuela. Na Ciudad Guayana, o presidente joga uma bóia simbólica no rio Orinoco, sobre o qual começará ser construída uma segunda ponte, pela construtora brasileira Odebrecht. A construtora é velha conhecida dos venezuelanos, pois administra as obras da Linha 4 do metrô de Caracas.

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