"Eu vos declaro casados. A partir de agora vocês constituem uma família", afirmou o juiz de paz. Os batimentos cardíacos marcavam 90 e oscilaram durante a cerimônia. José Salete Paulino, 69, casou na UTI do Hospital do Coração de Londrina nesta quinta-feira (24). Aparecida Frasson, 72, adotou o sobrenome Paulino sob os olhos do juiz de paz, de um pastor, das filhas e de uma pequena parte da equipe do hospital.

Este mês não tem sido fácil para José. Ele descobriu que os rins não estavam mais funcionando como deveriam, necessitando de procedimentos diários. Depois disso, sofreu infarto e está internado desde domingo (20) para se submeter a procedimento cirúrgico na próxima segunda-feira (28). Antes disso, o paciente gostaria que tivesse um desejo realizado: casar com quem já vive há 37 anos.

"E lhes darei um só propósito, um só coração e um só caminho", lia o pastor Gildo Machado na Bíblia, enquanto as filhas ouviam emocionadas. José teve cinco filhos criados por ele após a primeira esposa sair de casa. "Meu pai é um guerreiro. Minha avó o ajudou e depois ele conheceu a 'tia'", conta Melissa Pecorare, uma das filhas de José.

Casamento foi celebrado por um pastor e acompanhado por filhas do casal
Casamento foi celebrado por um pastor e acompanhado por filhas do casal | Foto: Gustavo Carneiro



"Eu amo muito você", confessou José a Aparecida logo após trocarem as alianças entre tantas testemunhas. "Eu pensei que para Deus ouvir as minhas orações eu precisava arrumar a minha casa. Foram 37 anos de muita felicidade. Quando a gente resolveu levar uma vida em comunhão, nós prometemos que todos os dias seriam como o primeiro", afirma o noivo recém-casado.

"Eu não esperava que fosse na UTI. Nós já planejávamos nos casar, mas fomos deixando. Eu o amo muito", declara-se Aparecida. Com a troca de alianças e o documento em mãos, os dois prometeram cuidar um do outro e planejar a lua de mel para o fim do ano.

Para que a cerimônia fosse realizada, foi necessário acelerar o processo burocrático. "Normalmente é esperado [um prazo] entre 15 e 90 dias para a documentação, mas eu precisava realizar esse desejo deles. Contei a situação ao juiz e eles compreenderam", conta Simone Cândido Rodrigues, filha da noiva. O hospital também apoiou o processo e permitiu que a cerimônia fosse realizada no local.

"É a primeira vez que faço a cerimônia em uma UTI. Estou feliz por estar cumprindo um papel importante", conta o pastor. Para as filhas presentes, o casamento é mais do que a oficialização, é a realização de um desejo. "Para nós eles já estavam casados, o maior prazer foi realizar o desejo dele", conta Melissa Muliterno, também filha de Aparecida. "Agora ele está completo, está em paz, ele precisava desse passo", acrescenta Pecorare.

Entre carinhos e beijos, José mostrou ter saúde para viver ao lado da esposa. O casamento era planejado antes da descoberta da doença, mas as circunstâncias fizeram com que a cerimônia fosse no hospital, onde o casal deu exemplo de cumplicidade e amor. "Hoje eu a amo muito mais que ontem, eu sempre falei isso para ela", afirma José. "Eu estou pronta para viver mais 37 anos com ele", diz Aparecida esperançosa e apaixonada.

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