Quando enfim os namorados marcam a data do casamento é dado o pontapé inicial para os preparativos. Começa então a se pensar na festa, no vestido, no bolo, nos docinhos, no local da cerimônia, nos convidados, na viagem de lua de mel, e muito mais... a lista é imensa. Mas o que não pode ser esquecido ou deixado de lado são os chamados exames pré-nupciais, que vão garantir a saúde dos cônjuges na vida comum que se inicia.
O objetivo, segundo o urologista Cid Janene El Kadre, de Londrina, é avaliar possíveis doenças assintomáticas, que possam ter transmissão através do contato sexual. Outra indicação é pesquisar sobre fertilidade no casal que planeja ter filhos. ''A identificação precoce, permite tratamento adequado''.
Apesar de hoje ser normal que a maioria dos casais inicie a vida sexual antes do casamento, os exames continuam válidos, segundo o ginecologista João Bento de Moura Neto, de Londrina. Isso porque nem sempre doenças como sífilis, por exemplo, apresentam sintomas. E, no caso da sífilis, a doença pode trazer consequências sérias durante a gravidez, como cegueira e problemas cardíacos para o bebê. ''Mesmo que sexualmente ativos, vale a pena investigar''.
O exame de HIV, por exemplo, permite o início de um tratamento adequado e aconselhamento para a vida sexual e para a gestação. Já o de clamídia, identifica a doença, que é sexualmente transmissível (DST), e pode provocar, entre outros problemas, infecções oculares e urogenitais. O exame de toxoplasmose permite identificar a infecção provocada por um protozoário, que pode ser transmitida para o feto no primeiro trimestre da gravidez, com risco de aborto ou de sequelas para o bebê. O ginecologista lembra ainda da necessidade da vacina contra rubéola, doença que nos três primeiros meses de gestação pode implicar em malformação fetal.
O ideal é programar esses exames (veja quadro) com pelo menos dois meses de antecedência. ''Isso permite identificar alterações e resolvê-las 'sem atropelos'. Informação traz tranquilidade e sucesso para a nova vida do casal'', opina El Kadre.
Para investigar a fertilidade, o homem pode fazer o espermograma. No caso da mulher, o exame de ultrassom ajuda a mostrar as condições dos órgãos reprodutivos, como ovário e útero.
O aconselhamento genético, explica El Kadre, é necessário só quando há alguma história de malformação na família. Ou, ressalta Moura Neto, quando o casamento é entre parentes de primeiro grau, como primos. Nestes casos há mais chance de um gene de alguma doença, que poderia estar passando de geração para geração de forma recessiva, se manifestar.
No Sistema Único de Saúde (SUS), segundo a diretora de Ações e Saúde (DAS) de Londrina, Bruna Petrillo, os exames não são feitos como um kit pré-nupcial, mas como consultas de rotina nos postos de saúde. Ela explica que quando há necessidade, há encaminhamento para atendimentos específicos, como a consulta com urologista, ou para o Programa de Esterilidade e Climatério, que investiga casos de infertilidade.

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