Na Santa Casa, 10% buscam apoio emocional
Agência Estado
De São Paulo
Até descarregar a arma na sessão de cinema, Mateus se preparava para a formatura numa renomada faculdade, a da Santa Casa de São Paulo. O caso despertou o debate: as universidades não deveriam acompanhar mais de perto seus alunos e ser mais criteriosa na formação dos profissionais?
A maior parte das escolas de medicina tem serviços de apoio psicopedagógico. Na Santa Casa, a Retaguarda Emocional para Alunos de Medicina é procurada espontaneamente por cerca de 10% dos alunos. Entre as queixas mais comuns, conforme a psicóloga Patrícia Bellodi, estão o pouco tempo de lazer e dificuldades de lidar com a questão da vida e da morte.
Em alguns casos, os professores também encaminham estudantes-problema, como foi o caso de Meira. Para a psicóloga, não é função da faculdade patrulhar a vida dos estudantes. Em nome do não-patrulhamento, profissionais acabam se omitindo e não dá para brincar com isso, acredita a psicóloga Neusa Aguiar. Por que não aplicar testes projetivos de personalidade e fazer avaliações psicológicas anuais nos estudantes?, pergunta a também psicóloga Miriam Vilma Alonso.
O professor de sociologia da Universidade São Francisco Milton Greco sugere um estudo de como, sob o ponto de vista ético, o aluno de medicina entra e sai da faculdade. Orientador de mestrado sobre o assunto, ele afirma que o uso de drogas e álcool entre os alunos é grande e falta preparação a muitos para frequentar o curso. É bom nos perguntarmos se por trás de um erro médico não existem erros do ensino médico.





