Na Internet eles viajam pelo mundo
No MundoTelma faz viagens internacionais, no interesse do trabalhoOs analfabetos informáticos não conseguem entender o que eles conversam, um papo esotérico, só entendido pelos iniciados. São os navegadores da Internet. Navegam pelos mais diversos motivos, dos quais o principal é o aprimoramento profissional.
Rosane Barros, pauteira, fica no computador horas e horas no jornal, como todo mundo aqui. Mas, ela faz a mesma coisa em casa onde, além de algum trabalho, passa outras horas e horas, navegando pela Internet. Ela procura tudo.
A Rede te abre essa possibilidade. Eu pesquiso muito, uso a Internet no meu trabalho, que atualmente é a pauta da Folha 2 e de alguns suplementos. Posso acessar todos os jornais, revistas; ouço músicas, baixo arquivos para o meu computador, vou ao banco. Só não fiz compras pela Rede, porque ainda tenho algumas dúvidas sobre a segurança deste sistema. Mas a possibilidade de ter, aquilo que você deseja, sem precisar sair de casa, é fascinante. O auxiliar administrativo Danilo Martinez Sousa não se queixa: já fez compra e foi bem atendido. Se você consulta um site e pede serviço ou compra algo com
Danilo: bate-papo e compras pela Internetcartão de crédito, sempre entregam na data marcada, afirma.
LazerO lazer também é motivação forte para viajar pela Rede. Também uso muito para o meu lazer. Adoro vasculhar novos sites, diz Rosane. Ela confessa:Eu nunca fui muito de escrever cartas. Depois que passou a navegar, só se corresponde com amigos via e-mail. A vantagem desse sistema, justifica, é a rapidez com que as notícias vêm e vão. Isso fascina Rosane.
Como a Internet é mundial, supõe-se que seja indispensável entender inglês. É bom, mas não indispensável, pois existe muita informação em português. Rosane faz uma ressalva: Você pode navegar pelo mundo todo mas, sem o domínio do inglês, a Internet fica realmente muito restrita. Algumas escolas estão oferecendo cursos de inglês para computação. Mas, observa Rosane: A produção brasileira na Internet cresceu muito e há muito o que se ver por aqui.
Dorico da SilvaRosane não era de escrever cartas. Agora, pela Internet, corresponde-se pelo e-mail :TrabalhoAs pessoas usam seus computadores pessoais para trabalhar, basicamente. Rosane Barros recorda que há quatro anos essa é a sua principal ferramenta de trabalho: Pesquisa, textos, frilas, boletins, tudo sai dali. Não tenho a menor paciência para jogos de computador; nunca instalei um game no meu e acho pouco provável que isso aconteça.
Danilo Martinez Sousa entra na Internet três ou quatro vezes por semana. Ele também geralmente procura serviço ali; informações sobre computador e outros assuntos da atualidade; assinaturas de revistas e jornais; consultas bancárias. Entra muito no Universe On-Line, para bater papo.
Um dos passatempos prediletos de Danilo é trocar e-mail com os amigos, e fazer através disso novos amigos. Manda e-mail e sempre responde aos que recebe. Já fez amizades novas, em Londrina e em outras cidades. Conheceu uma menina, encontraram-se.
Ele procura manter-se informado, principalmente conectando-se com todo mundo que manda e-mail. Um dos seus interlocutores é um rapaz de Londrina que está fazendo pós-graduação nos Estados Unidos. Entre seus interlocutores acham-se londrinenses que estão estudando em outras cidades, e parentes que moram em Belo Horizonte. Você quer navegar? Faça como Danilo. Ele acha que não tem segredo nisso (fez apenas um curso básico de computação), e até que não sai caro, R$25,00 por mês, e os impulsos telefônicos.
Falcão?Não!Quem sabe disso é a Telma Elorza, redatora da Folha Dois: Na Internet a gente pode achar de tudo, desde pesquisas sérias de entidades como a Embrapa, por exemplo, até besteirol como a página do cantor Falcão. Telma navega pelo computador de uma empresa de assessoria de imprensa onde trabalha à tarde. Às vezes, se não tive tempo durante o dia, fico um pouco depois do expediente, só para navegar, revela. Mas na maioria das vezes ela navega buscando informações para seu trabalho. Para nós, jornalistas, a Internet é uma excelente fonte de informações, afirma. Na Redação da Folha ela também navega, em busca de novidades na área de cultura e informática. Na assessoria, pesquisa assuntos ligados à agropecuária. Não tem uma página preferida: Para momentos de lazer, eu gosto de pesquisar páginas de livrarias (uma vez leitora, sempre leitora).
Arquivo FFVejam o Miltinho ali no Iate, junto com uma sobrinha. Na Internet ele navega atrás de fotografiasNessas viagens
Telma diz que não perde tempo com chats (sala de bate-papo): Acho legal que alguém se disponha a ficar lá, jogando conversa fora, mas não faz meu estilo. Porém, através da Internet, já tive contatos profissionais com jornalistas da Argentina, da Inglaterra, França e Canadá. Nunca fiz compras pela Internet.
FotografiasO fotógrafo Milton Dória também gosta de computador, comprou uma máquina possante e entrou na Internet. Sua motivação maior é profissional. Por isto tem um Blaster de 233 megahertz, 32 RAM memória e 2 gigabytes no winchester. O ideal seria trabalhar com 64 RAM, ressalva Miltinho.
Ele explica que seu equipamento permite eliminar o laboratório fotográfico para ampliação da foto. O equipamento revela, escaneia, trata a imagem para guarda em disquete. Falta comprar alguns equipamentos como scanner, zipdriver (um disquete onde cabem 100 megas - o normal é de 1 mega, e uma foto de boa qualidade não cabe num disquete.
Milton comprou o computador para trabalhar com fotos, mas por enquanto vai navegando em todos os mares. Ele ressalva que ainda está na base dos projetos: Vamos ver como fica. A compra do computador foi mais por causa disso. Começar a entrar um pouco nessa área de fotografia digital.
Enquanto navega pela Internet, Dória faz no seu multimídia um curso de inglês, de 50 capítulos. E também visita exposições e museus, atrás de fotos no mundo todo: Na Internet tem muitas páginas de fotografias, nas quais se pode entrar direto, e até páginas específicas de profissionais. Ele já achou um site de fala inglesa e espanhola, para discussão entre fotógrafos, e até exposições.
Na última vez que Miltinho entrou nessa página, ela tinha mais de 200 fotos, de 36 fotógrafos de várias partes do mundo. Outras vantagens apontadas por Miltinho, por estar na Internet: pode-se ler jornais na hora que quiser, assim como as principais matérias das revistas nacionais; converssar com as pessoas pelo preço de uma ligação normal, e mais a facilidade do e-mail. Ele só conversa com a família por e-mail. Recupera até o costume de escrever uma carta, que já tinha perdido. Inclusive pode mandar fotos. Esta é uma nova possibilidade de comunicação. Através da internet você tem também a possibilidade de mostrar seu trabalho para outras pessoas. Ele destaca ainda que pode entrar no banco de imagem (Image Bank, com 45 mil fotos disponíveis).
Além de naavegar na Internet, Milton Dória é, na Folha, o único navegador de fato: há dois anos ele ajudou a pilotar um barco, de Angra dos Reis ao Caribe, como a Folha da Folha já publicou.





