Na ilha de Fidel, FHC defende fim do embargo dos EUA
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domingo, 14 de novembro de 1999
Por Isabel Braga (enviada especial) 
Havana, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu em Havana o fim do embargo econômico mantido contra Cuba há quase 40 anos pelos Estados Unidos da América (EUA). Mesmo ressaltando que este é um problema dos EUA, Fernando Henrique sugeriu a cubanos e norte-americanos que parem de "olhar para o passado". "Olhar para frente significa uma redefinição do que é Cuba hoje para os Estados Unidos", afirmou em entrevista. "Não há ameaça que se possa pensar como um obstáculo à normalização das relações."
Segundo Fernando Henrique, nos Estados Unidos "já existe uma visão mais ampla a respeito da importância da reintegração de Cuba, de uma relação normal com o hemisfério". E, segundo ele, o exemplo disso foi a visita feita recentemente pelo governador de Illinois à ilha governada por Fidel Castro.
O presidente disse que no encontro que terá no próximo dia 21 com o presidente norte-americano, Bill Clinton, em Florença, na Itália, irá expor essa sua visão, se ele tocar no assunto. "Nos Estados Unidos, tudo estará dependendo das eleições e do clima eleitoral, mas já conversei com o Clinton sobre isso em outras ocasiões", declarou.
De surpresa, como quase todos os eventos desta 9ª Conferência Ibero-Americana, o presidente de Cuba, Fidel Castro, foi ao aeroporto receber Fernando Henrique. Depois, também inesperadamente, apareceu na residência do Embaixada Brasileira em Cuba para uma conversa a sós com Fernando Henrique. Os dois também conversaram reservadamente, por quase uma hora, antes do jantar oferecido no sábado pelo presidente cubano no Palácio da Revolução, que se estendeu até 1h30 da madrugada.
Segundo Fernando Henrique, Fidel Castro mostrou interesse pela maneira como o governo conduziu a economia diante das crises financeiras internacionais. "Ele quis saber como fizemos para frear a crise mundial no Brasil - as palavras são dele", ressaltou o presidente, acrescentando que as dúvidas do presidente cubano incluíam as circunstâncias atuais da economia brasileira.
As relações entre os dois países têm se intensificando nos últimos anos, com empresas brasileiras ampliando seus investimentos em Cuba. A Petrobras irá participar da exploração de petróleo, em contrato firmado com a Companhia de Petróleo Cubana (Cupet). Os dois países também deverão trocar experiências sobre tecnologia de produção do açúcar.
CENTRO HISTàRICO - Acompanhado da primeira-dama, Ruth, Fernando Henrique percorreu hoje ruas e visitou alguns monumentos e museus do centro histórico de Havana ( Havana Vieja). Com explicações do coordenador do projeto de restauração da Havana Vieja, o cubano Eusebio Leal, Fernando Henrique entrou no museu de La Ciudad, onde estão expostos retratos de patriotas cubanos e pertences militares. Em um dos restaurantes do local, Fernando Henrique posou para foto e quis saber qual era o nome da música que tocava. A música era "La batea" (o tanque), em que um homem descreve sua emoção ao ver uma mulher lavando roupa em um tanque.
O presidente disse ao historiador ter estado em Havana na década de 80 e que hoje estava encantado com a "mudança para melhor" do local. Amanhã (15), o presidente recebe o cardeal arcebispo de Havana, dom Jaime Ortega, e à tarde participa da cerimônia de cumprimentos dos 21 chefes de Estado e de governo que participam da Ibero-Americana.
SUCATÃO - Antes de chegar à ilha governada por Fidel, Fernando Henrique e a comitiva - incluindo alguns jornalistas - que o acompanhava no boieng presidencial, apelidado de Sucatão, enfrentaram uma turbulência. Por alguns minutos o avião trepidou
fez barulhos e chegou a perder altitude. Depois do susto, que acabou interrompendo o serviço de bordo, os assessores do presidente brincaram com a situação.
Fernando Henrique, em conversa com jornalistas, comentou o roubo de seu automóvel Gol 93 em São Paulo. "Era de estimação, era o único que era meu mesmo.".


