O mercado de jogos de tabuleiro, os “Board Games”, cresceu exponencialmente no Brasil nos últimos anos. Neste sábado (21), a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) promoveu, no campus de Londrina, mais um evento dedicado aos jogos analógicos.

Imagem ilustrativa da imagem Na contramão do digital, jogos analógicos ganham espaço em evento
| Foto: Isabela Fleischmann/Grupo Folha

Este foi o 33° Evento de Board Games promovido pela UTFPR. A ação, gratuita, foi dividida em três salas: jogos de tabuleiro, RPG (Role Playing Game) e Escape Room. Na primeira, os jogadores se espalhavam em mesas com diversos modelos de jogos. A disputa ia desde o tradicional Magic, de cartas, a lançamentos, com jogos com belas ilustrações e um de tabuleiro que simulava a dinâmica de um restaurante. São partidas que estimulam o lado emocional, cognitivo e lúdico, como explica o coordenador do projeto de extensão de “O uso lúdico como ferramenta de ensino”, Maurício Iwama Takano, professor da UTFPR em Cornélio Procópio.

Para além dos alunos da UTFPR, que ganham certificado com a participação no evento, as ações de Board Games são abertas para toda a comunidade interessada nos jogos. “Fazemos um evento por mês. A ideia é mostrar a todos os jogos de tabuleiro, já que muitos estão migrando dos jogos online, no computador, para esse tipo de jogo, que tem uma característica interessante de juntar as pessoas”, afirma Takano.

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| Foto: Isabela Fleischmann/Grupo Folha

Além de aprimorar habilidades matemáticas, Takano lembra que a era de jogos digitais saturou as pessoas, pela impessoalidade do jogo. Na contramão da tecnologia, a vontade dos jogadores é sair do ambiente virtual. “Existem vários artigos que trazem teorias sobre o retorno dos jogos de tabuleiro. A falta do contato social, o jogar a distância sem se encontrar, tornou o jogo muito impessoal. Essa é uma das teorias mais aceitas”, conta.

Na Escape Room, os jogadores têm desvendar enigmas. Em comemoração aos 110 anos da UTFPR, a charada a ser resolvida desta edição fazia alusão a uma experiência com animais da universidade que deu errado. Os cachorros, infectados, estariam contaminando as pessoas. Cabe aos jogadores resolver a situação por meio da solução de enigmas. O professor de física da UTFPR em Cornélio, Cássio Henrique dos Santos, coordena a parte do Escape Room. “É uma sala que tem um mistério e o grupo de pessoas que entra tem de resolver o quebra-cabeças em até 30 minutos. Você pode ter um final bom ou final ruim para a história, se não conseguirem desenvolver tudo corretamente”, conta.

As equipes que entram na sala, de 6 a 8 pessoas, deparam-se com carteiras reviradas e escritos no quadro. “Fizemos enigmas com labirinto, luz negra e mapa. Um que usa uma caixa tem que ter pelo menos duas pessoas para resolver, o que faz com que o trabalho tenha que ser em equipe”, explica Lucas do Prado, 21, estudante de engenharia de computação que faz parte do projeto de Escape Room.

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Na sala de RPG, o professor Fernando Fiorin, administrador do grupo de RPG de Londrina, jogava e auxiliava quem queria começar a entender o mundo desses jogos. A nostalgia da interação social que os jogos offline oferecem levam londrinenses a procurarem cada vez mais esse tipo de jogo. O comércio da cidade, seguindo a tendência nacional, viu o número das vendas desses jogos crescer, das mais diversas modalidades: tabuleiro, cartas, RPG (Role Playing Game). Algumas lojas na cidade realizam campeonatos de Magic.

Já Maringá (Norte), tem inclusive um “ludobar”. A proposta de bar de jogos oferece dois cardápios: um, de comida. Outro, um “open de jogos”. Entre os jogos de tabuleiro mais vendidos do site de comércio eletrônico Amazon, está o jogo Coup, da Mandala Jogos, seguido do Azul, da Galápagos Jogos, Carcassone, da Devir, War, da Grow, Black Stories, da Galápagos e Dixit, também da Galápagos. Os preços dos jogos variam de R$ 60 a R$ 300. A Galápagos é uma editora brasileira de jogos e o Dixit foi considerado o jogo do ano em 2010 em um prêmio alemão de jogos de tabuleiros e cartas. Em 2018, o vencedor do prêmio foi o Azul.

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| Foto: Isabela Fleischmann/Grupo Folha

No evento deste sábado participaram professores da UTFPR de Cornélio, Londrina e do IFPR (Instituto Federal do Paraná) que fazem parte do projeto de jogos offline. O programa de Board Games engloba 19 alunos. Quem desejar participar da próxima edição pode acompanhar o Facebook do projeto de Board Games, o blog e o Instagram.

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