Na China, muitos perguntam-se quando as eleições chegarão às cidades
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quarta-feira, 05 de abril de 2000
Por Renee Schoof 
Vila Taiping Norte, China (AE-AP) - Em meio a uma onda de frio, 1.200 de aldeões aconchegam-se nos bancos do playground de uma escola para votar nas primeiras eleições primárias sob a nova lei que proíbe a interferência do partido comunista.
Eleições em Taiping Norte e nas outras vilas através da China marcam um novo estágio do flerte chinês com a democracia local. Pela primeira vez, eleições estão acontecendo sob uma lei que garante a nominação direta pelos eleitores, escolha secreta e contagem pública dos votos.
As eleições diretas na China são altamente limitadas e, em muitos casos, atrapalhadas por fraudes ou indiferenças às regras. Apenas as vilas, que estão abaixo do mais baixo nível da hierarquia do governo chinês, têm o direito de promover eleições diretas para seus líderes.
Ainda assim, a China vem fazendo progressos no estabelecimento da democracia como um norma para o povo. Desde que a primeira lei de eleições em vilas foi aprovada no final dos anos 80, funcionários do Ministérios de Assuntos Civis vêm tentando estabelecer bons padrões de eleições em toda a nação. A nova lei, aprovada no final de 1998, coloca o governo central apoiando esses esforços.
Agora, o assunto está provocando debates entre pensadores e funcionários favoráveis á reforma sobre se a China deveria aceitar eleições em níveis superiores.
"Eu acho que mais pessoas no governo central irão apoiar as eleições porque a corrupção está piorando", disse Li Fan, chefe de um grupo privado de pensadores, o World and China Institute.
A incitação de grupos contra o suborno não estão funcionando, mas as eleições são um caminho para dar fim a líderes corruptos e incompetentes, diz Li.
A eleição primária na vila Taiping Norte, um ajuntamento de casas térreas de tijolos a duas horas ao sul de Pequim, mostrou o quanto as pessoas desejam ter algum controle sobre o governo.
Os habitantes indicaram 147 pessoas para cinco postos no comitê da vila, que decide como o povoado usa os lucros dos negócios pertencentes à vila, media disputas civis e reforça políticas governamentais. A contagem dos votos foi organizada em doze quadros negros pelo jardim da escola, mas não houve espaço suficiente e foi necessário usar as paredes para marcar os votos.
A primária foi calma. Não foi permitida a realização de campanhas, torcidas ou agitação. Apesar do frio, muitos eleitores que chegaram às 8 da manhã continuaram no local até depois da hora do almoço para ver a apuração dos votos.
Cinco dias depois e em outra assembléia no pátio de colégio, oito candidatos escolhidos na primária estavam eleitos: dois chefes, dois vice-chefes e quatro membros do comitê.
Zhao Jinzhou, o chefe local do partido comunista e chefe da vila por dez anos, perdeu por pouco para o número dois do partido, Xu Guangquan.
O partido comunista encoraja seus membros do povo a participar das eleições e geralmente recrutam vencedores não comunistas
Taiping Norte já havia organizado quatro eleições prévias desde que a China começou a permitir eleições em vilas em 1987, mas funcionários do governo dizem que as elas nunca foram feitas na base de uma pessoa, um voto.
"O que nós estamos vendo é encorajador", disse Tom Crick, do Centro Carte, um grupo norte-americano que promove a democracia. Parte de uma recente missão de observação, Crick disse que as regras da nova lei sobre voto secreto, múltiplos candidatos e nominações por votos estavam sendo cumpridas.
Mas nem todas as eleições são tão fáceis como em Taiping Norte.
Numa vila do condado de Linqu, no leste da província de Shandong, os habitantes nomearam e elegeram quatro aldeões que lideraram um protesto, alegando que os oficiais locais demarcaram terras injustamente.
Uma semana depois da eleição, os quatro foram colocados na cadeia e acusados de organizar o povo para atacar um órgão do governo, informou o Centro pelos Direitos Humanos e Movimento pela Democracia na China, um grupo de Hong Kong.
Funcionários do governo confirmam a ocorrência do protesto, mas recusam-se a dizer o que aconteceu com os líderes detidos.
O impacto, mesmo das melhores eleições realizadas na China, é limitado. O mais baixo nível na hierarquia do governo chinês são os distritos, um grupo de vilas. E eles são administrados por funcionários do governo que são selecionados pelos poderes legislativos locais, dominados pelo partido comunista.
Numa corajosa experiência em dezembro de 1998, o distrito de Shandong, numa remota parte da província de Sichuan , promoveu uma eleição direta com o apoio dos oficiais locais do partido. O governo nacional declarou o voto inconstitucional, mas permitiu que o vencedor, o vice-secretário do partido no distrito, mantivesse o posto.
No último ano, deputados nacionais visitaram Buyun e convidaram seus oficiais para ir a Pequim discutir a eleição.
A China precisará criar uma estrutura para trilhar a estrada para eleições em escalões mais altos, incluindo a liberdade de imprensa e de reunião e um judiciário independente. O partido comunista também terá de afrouxar suas rédeas sobre o poder.
Desde o final de 1998, as autoridades já aprisionaram 21 membros de um partido de oposição bandido, acusados de subversão.
Enquanto os reformistas falam aos poucos sobre mudanças, outros estão satisfeitos em esperar por mais tempo.
Zhan Chengfu, o funcionário do Ministério dos Assuntos Civis responsável por promover as eleições nas vilas, disse que as eleições são corruptas ou não seguem as regras em cerca de 40% das vilas chinesas. Ele estima que vá demorar 50 anos até que 90% das vilas do país sejam capazes de promoverem eleições satisfatórias.
"Nós temos que preparar as bases primeiro e então deixar que a história decida".


