Noite do dia 22 de janeiro. Enquanto uma família chora a perda do agente penitenciário Francisco Gonçalves Filho, de 42 anos, no Conjunto Luiz de Sá, Zona Norte de Londrina, no mesmo bairro, próximo de uma favela, uma motocicleta pára em uma casa onde funciona uma ''boca-de-fumo''. E segue-se este diálogo:
- E aí, fez o serviço? - pergunta um homem que está com outros três em frente à boca.
- Tá tudo certo, ele já era. - responde o homem que está na garupa da moto.
- Agora você tem que sumir. - diz o primeiro
- Já tô saindo. - responde novamente o garupa. E a moto sai em disparada.
O diálogo chegou ao conhecimento da polícia na manhã do dia 24, no momento em que agentes penitenciários, familiares e amigos faziam uma passeata em protesto contra a morte de ''Chiquinho'', como era conhecido Gonçalves Filho, executado com 19 tiros, em frente da casa onde morava com a mulher e os filhos.
A execução foi cruel. Dois homens chegaram de moto, no momento em que o agente estava no carro, em frente da própria casa, com os filhos. O garupa desceu, deu alguns tiros pela janela, abriu a porta do veículo e, friamente, descarregou a arma em Chiquinho. Toda a ação foi presenciada pelos filhos e pela mulher.
No mesmo dia da manifestação, um advogado ligou para as redações dos principais veículos de comunicação de Londrina dizendo que iria até a 10 Subdivisão Policial apresentar o assassino do agente penitenciário. Ele pediu sigilo absoluto e disse que era uma informação exclusiva.
As equipes de reportagem ficaram esperando em vão. E depois souberam que a informação exclusiva não era verdadeira e tinha sido repassada para todos - jornais, rádios, televisões. Por volta do meio-dia, outra informação furada: o advogado estaria apresentando o cliente no 2º Distrito Policial, próximo ao Terminal Rodoviário de Londrina. Também não era verdade.
Durante toda essa movimentação, um delegado saiu da 10 SDP, com uma equipe de policiais civis, e foi em direção ao Luiz de Sá. No conjunto, próximo de onde funciona a ''boca-de-fumo'', teria entrado em algumas casas, conversado com pessoas, em busca dos homens que estavam na motocicleta e teriam executado o agente penitenciário. Mas nada encontrou.

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