Na Apucaraninha, seis optaram pela modalidade
Tamarana - Propiciar o acesso de um maior número de pessoas à educação superior é a maior bandeira levantada pelos educadores a distância. "Não podemos esquecer o horizonte e o papel importante do nosso trabalho: democratizar o ensino superior no País", afirmou a presidente do Fórum Nacional de Coordenadores do Sistema UAB (Universidade Aberta do Brasil), Maria Luisa Furlan Costa, em encontro nacional realizado neste ano em Brasília. O Sistema UAB é o programa de educação a distância do governo federal, vinculado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação.
Jaciele Nyg Kuita, de 25 anos, é uma índia caingangue que mora na Terra Indígena Apucaraninha, em Tamarana (Região Metropolitana de Londrina), onde trabalha como coordenadora pedagógica da escola de ensino fundamental. Depois de cursar por três anos a faculdade de Psicologia na Universidade Estadual de Maringá (UEM), ela conseguiu transferência para a graduação a distância em Pedagogia, na mesma universidade. É na precária biblioteca da escola caingangue que Jaciele se refugia para estudar, depois do expediente. Ao menos, lá ela tem acesso à internet. "Está sendo uma experiência bacana. Estudo daqui e vou ao polo em Maringá a cada 15 dias", conta. "Foi por estar cursando Pedagogia que eu consegui o emprego aqui na escola", prossegue. Ela diz que a graduação a distância exige mais do que o curso presencial. "Os conteúdos são os mesmos. A diferença é que temos que nos virar sozinhos. Acredito que seja até mais difícil do que o presencial", aponta. Além de Jaciele, outras cinco índias da TI Apucaraninha estão no ensino a distância, inclusive a mãe dela. "Para nós é uma ótima alternativa, principalmente para os que vivem nas aldeias. Temos as mesmas oportunidades de quem mora nos centros urbanos", afirma.
A diretora do EAD da Kroton, professora Elisa de Assis, conta que a Unopar tem um polo em Oriximiná, cidade do Pará na divisa com Amazonas, distante 12 horas de barco de Manaus. "É muito interessante. O aluno de lá tem uma educação da mesma qualidade do aluno que está em São Paulo", afirma, citando como exemplo o dia em que os alunos amazonenses puderam assistir a uma aula virtual do jornalista Gilberto Dimenstein, transmitida via satélite para todos os polos. "Você pode levar uma educação de qualidade e democratizar o acesso das pessoas à informação e ao conhecimento", valoriza Elisa, responsável pela implantação do EAD na Unopar.(D.P.)





