Na Alemanha, FHC diz que desconhecia banco Marka
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Isabel Braga (enviada especial) 
Bonn, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou há pouco à capital da Alemanha, dando início a um giro pela Europa que incluirá visitas a Portugal e Inglaterra para explicar a investidores e dirigentes políticos a situação da economia brasileira. O presidente saiu do Rio de Janeiro à zero hora desta quarta-feira, onde a temperatura era de 30 graus, e enfrentou 8 graus ao desembarcar em Lisboa e 3 graus ao chegar a Bonn, onde estava nevando. Em Lisboa, desembarcaram e ficaram a primeira-dama, Ruth Cardoso, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e a mulher deste, Ana Paola.
Em Bonn, o presidente fez de carro o percurso de 20 minutos entre o aeroporto da capital e a residência de Petersberg, onde ficará hospedado até sexta-feira, mas o automóvel teve que se deter a 200 metros da residência, porque a nevasca deixara a rua intransitável colina acima. Em consequência, Fernando Henrique teve que prosseguir a pé, na neve, até a residência de Petersberg. Os jornalistas que acompanhavam tiveram que caminhar 600 metros na neve.
Há pouco, o presidente saiu da residência, agasalhado, e posou para fotos na neve, antes de conceder uma rápida entrevista à imprensa. Ele disse que está na Alemanha para "estreitar os laços" deste país com o Brasil. Abordado por um repórter sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará denúncias sobre irregularidades no Poder Judiciário e que começa a funcionar hoje, no Senado, o presidente afirmou que uma das medidas que considera importantes, na reforma do Poder Judiciário, é a aprovação da proposta de extinção da figura do juiz classista. Fernando Henrique relatou que ele próprio vinha evitando reconduzir esses juízes quando estavam próximos de se aposentar. Destacou que a extinção dessa categoria no Judiciário será uma medida "moralizadora".
Fernando Henrique disse que "nunca" tinha ouvido falar do Banco Marka, beneficiado com a venda, pelo Banco Central, de dólares a preços abaixo dos de mercado em meio ao processo de mudança cambial no Brasil, em janeiro. A uma pergunta sobre a inclusão do nome do economista e ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes nas denúncias de favorecimento ao Marka, Fernando Henrique declarou que, se em consequência da confirmação das denúncias, as autoridades brasileiras tiverem que prender alguém, elas devem prender. O presidente foi enfático também ao afirmar que a demissão de Francisco Lopes da Presidência do BC (antes mesmo de empossado no cargo) nada teve a ver com o suposto envolvimento dele no caso do Banco Marka. "Deixa eu esclarecer isso de uma vez por todas: a mim nada jamais foi dito que implicasse o doutor C hico Lopes".
O presidente relatou que tomou "junto com Malan (o ministro da Fazenda, Pedro Malan)" a decisão de demitir Lopes do comando do BC. Fernando Henrique confirmou uma informação divulgada na época: que o ministro Malan chegou a apresentar pedido de demissão em razão dos problemas ocorridos com o real no dia 29, quando houve uma corrida da população aos bancos para retirar dinheiro por causa de boatos sobre confisco. Fernando Henrique reafirmou que a demissão de Francisco Lopes foi uma decisão "técnica".


