Andradina, SP, 17 (AE) - Alegando aumentos exagerados e custo muito alto da obra pela qualidade dos materiais empregados, os mutuários do maior conjunto popular de Andradina - com 999 casas - decidiram deixar de pagar as prestações há mais de um ano. Hoje a direção da maior companhia habitacional do Interior de São Paulo, a CRHIS, com sede em Araçatuba, anunciou que vai pedir judicialmente o despejo dos inadimplentes, por considerar que a maioria está querendo dar apenas um golpe no sistema financeiro.
O diretor da empresa, Antônio Barreto dos Santos disse que mais de 80% dos mutuários estão com as prestações em atraso, ao contrário de outros conjuntos, onde, segundo ele, o índice de inadimplentes caiu de 32% para 26%. Para Santos, o problema não são os aumentos das mensalidades, na sua opinião realizados dentro da lei, mas uma situação especial gerada pela circunstância econômica.
Segundo ele, a companhia construiu o conjunto quando o Frigorífico Mouran de Andradina empregava mais de 1.500 operários. Mas Santos afirma que na conclusão das obras, o frigorífico estava desativado com uma grande massa de desempregados.
Porém nem todos deixaram de pagar porque estão desempregados. É o caso do pintor Celso Godoy Bueno, que já ampliou em 30% a área adquirida, cercou o terreno e fez outras inovações no prédio. Ele afirma ter iniciado há dois anos pagando R$ 64,00 de prestação pela casa de dois dormitórios. Há um ano, quando ela subiu para R$ 117,00, Bueno disse que deixou de pagar. "Não faz sentido essa prestação, se casas melhores podem ser alugadas por R$ 80,00 dentro da cidade, com asfalto na porta e aqui a gente enfrenta lama e buraco", declara o pintor. Para ele, o imóvel é muito caro pelo material empregado na construção.
Mas o advogado dos mutuários, Marcelo Mariano, acha que a situação vai se complicar caso os devedores não quitem os débitos ou pelo menos depositem na justiça o valor que consideram correto. Para Mariano, será impossível discutir o preço dos imóvel e as obrigações de custos impostas aos mutuários, como construção de sistema de água e esgoto, sem antes acertar a situação do atraso. Segundo ele, as prestações tiveram aumento de 100% a 200% e em muitos casos os valores se tornaram incompatíveis com a renda familiar.

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