São Paulo, 18 (AE) - O vice-lider do prefeito Celso Pitta na Câmara, Wadih Mutran (PPB), avaliou hoje que a maioria dos vereadores votou pela abertura do processo de impeachment porque foi pressionada pela imprensa, que divulgou pesquisas dando conta de que o eleitorado se negaria a reeleger o parlamentar se votasse contra a a criação da Comissão Processante.
Um dos sorteados para compor a Comissão Processante, Mutran disse que Pitta vai aproveitar o prazo das investigações para provar sua inocência. "Pitta não deve nada. Se isso for comprovado, a Câmara terá que assinar atestado de idoneidade do prefeito", argumentou o vereador.Uma das suas preocupações, acrescentou, é impedir que a oposição transforme a comissão num palanque eleitoral no prazo regimental de 90 dias. "Perdemos 2 batalhas, mas só nos sentiremos derrotado se a última votação decidir pela cassação do prefeito", avaliou Mutran.
Para o líder da bancada do PT na Câmara José Eduardo Cardoso, a pressão popular e as pesquisas decidiram o voto dos parlamentares. Porém, Cardoso diz ter dúvida se o plenário vai aprovar a cassação. Ele avalia que, será muito mais fácil para o vereador impedir a cassação, sem sofrer retaliações do eleitorado, porque esse último voto é secreto.
Mais uma vez a recomendação para o mandato de Celso Pitta, poderá ficar nas mãos de vereadores do PPB. A bancada tem 5 representantes na Câmara, dos quais 3 foram sorteados para participar da comissão. O petebista Natalício Bezerra novamente fará parte do grupo que investigará as acusações contra o prefeito paulista. Ele deu o voto decisivo a favor da oposição, na última quinta-feira(13), para impedir o arquivamento da denúncia da OAB-SP na Comissão Especial.
Natalício Bezerra mostrou-se desapontado de ser, pela quarta vez consecutiva, indicado ou sorteado para fazer parte de uma comissão. "Se pudesse eu sairia da Comissão Processante. Pedi pelo amor de Deus que não fosse sorteado", admitiu o petebista. No seu primeiro mandato na Câmara, Bezerra reclamou da pressão dos vereadores, que, segundo ele é muito grande. "É muito cansativo atuar na Câmara por causa da deslealdade que encontramos nesta casa", afirmou o vereador.
O petebista avaliou, que até o momento, votou consciente pela Comissão Processante sem provas que justificasse a sua instalação. Dessa vez, disse ele, "a Nicéa Pitta terá que apresentar provas quando for chamada para depor na comissão".

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